Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Out17

O Fantasma de Roth

Maria do Rosário Pedreira

Diz-se que Nathan Zuckerman, o escritor judeu que se passeia por várias obras de Philip Roth (A Lição de Anatomia, Pastoral Americana, A Mancha Humana, entre outras) é o seu alter ego. Pois pode bem ser assim. No livro que hoje me ocupa – O Escritor Fantasma –, Nathan é ainda um aspirante à condição de escritor, com um conto publicado numa revista importante, mas ainda muito verde e cheio de dúvidas. Encontramo-lo, de resto, de visita a E. I. Lonoff (escritor de ascendência russa a viver na América que é um dos seus confessados ídolos literários), a beber cada gesto e palavrinha do mestre que só gosta mesmo de dar voltas a frases e a quem a mulher, na presença do jovem, chega a pedir que a mande embora, pois já não suporta aquela vida de reclusão. Mas Nathan não é a única visita de Lonoff nesse fim de tarde: sentada na carpete de maneira informal a organizar artigos e outra papelada, a jovem Amy Belette (será esse o seu nome?) – uma ex-aluna estrangeira de Lonoff que talvez seja também sua amante – desperta fantasias e a admiração do rapaz até pela forma íntima e desafiadora como fala com o mestre. Nathan ficará a dormir em casa de Lonoff e poderá ouvir conversas sussurradas e inspiradoras que o ajudarão a resolver os seus próprios conflitos interiores. E mais não se conta desta estreia de Nathan Zuckerman, dizendo-se apenas que este é um livro maravilhoso sobre a literatura e a vida e as escolhas que se fazem em ambas. Traduzido por Francisco Agarez, claro.

 

7 comentários

Comentar post