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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

01
Set14

O primeiro dia

Maria do Rosário Pedreira

Ui, que difícil é o primeiro dia depois das férias… E, como dia 1 calhou justamente a uma segunda, a semana vai parecer ainda mais comprida. Paciência. Temos de dar graças a Deus por termos um emprego a que regressar e podermos gozar umas boas férias (o tempo nem sempre ajudou, mas deu, pelo menos, para desligar). Agora é tempo de matar saudades dos Extraordinários e avisar que o blogue voltou ao activo. E, como hoje é dia de dizermos o que andamos a ler, falo, pois, de um livro – não do que está à minha espera em casa, mas do primeiro que li neste tempo de repouso: O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati. Era mais uma das minhas falhas e, como saiu agora com uma nova tradução de Nuno Camarneiro, não havia mesmo desculpas para não lhe lançar a mão. Trata-se de uma história de espera e desespero, sem amor nem mulheres (dizem-me que no filme de Zurlini com o mesmo título também só se vêem homens), pois o cenário é uma fortaleza e as personagens militares ansiando por um inimigo que justifique ali a sua permanência. Mas o inimigo parece não passar de uma miragem… E os dias tornam-se todos iguais para o tenente protagonista e todos os outros soldados, transformando-se a esperança em desespero e gastando-se a vida em coisa nenhuma – anos e anos em busca de um sinal, um indício, uma suspeita de ataque que, quando acontece, chega simplesmente demasiado tarde. Romance sobre uma juventude perdida, uma vida deitada às urtigas, sobre a frustração. Dito assim, parece desaconselhável. Mas não é. Bem-vindos mais uma vez às Horas Extraordinárias.

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