Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Jun14

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Bem, para variar dos romances (mas nem tanto), dei comigo a ler um livro que me foi oferecido pelo autor, com dedicatória e tudo, e que, como é óbvio, ele sabia que me iria interessar (e muito). Chama-se O Futuro da Ficção e assina-o António-Pedro Vasconcelos que, além de cineasta, é um homem que lê muito, que acompanha os novos ficcionistas (apresentou o primeiro romance de João Tordo, por exemplo) e que pode falar da ficção em todas as suas formas – de Homero a John Ford – porque tem uma cultura muito sólida e abrangente e, desse modo, é capaz de relacionar períodos, escolas, formas artísticas… O seu ensaio, apesar de ter como título «O Futuro...», é, de resto, bastante retrospectivo e ensina-nos que os grandes períodos artísticos foram, ao longo dos séculos, extremamente curtos (o maior de todos durou cem anos, se tanto, mas os tempos geniais na música, na pintura ou na literatura foram, regra geral, bastante mais reduzidos; isto para dizer que é normal haver vazios criativos mais ou menos longos, em que nada que valha realmente a pena registar aparece (e faz bem as contas, de forma que é fácil dar-lhe razão). O problema é que, segundo APV, existe uma crise na criatividade mundial desde os anos 1980 – e a globalização não tem ajudado a corrigir a situação. O futuro? Bem, ou a situação trágica em que o mundo se encontra se tornará ainda mais trágica e desencadeará naturalmente um boom de imaginação (tem sido sempre assim, como o livro explica); ou vamos viver menos em pânico, mas provavelmente sem que nenhuma arte possa ser digna desse nome durante muito tempo (tanto como o vazio entre o fim do Império Romano e o Renascimento). Venha o Diabo e escolha... Leiam o livro, é muito mais do que aqui digo, claro. E aprendam como eu. E assustem-se também.

20 comentários

Comentar post

Pág. 1/2