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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Jan15

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Ora então sejam de novo bem-vindos a esta vossa casa. Espero que tenham passado umas boas festas, que o ano que agora começa vos traga coisas boas e que, claro, tenham podido ler bons livros. Como não tivemos post no dia 1 (eu sei, a culpa é minha), passei para hoje o meu relatório de leitura. Antes das férias estava a falar com um colega sobre os críticos e ele aconselhou-me a espreitar um excelente romance do argentino Ernesto Sabato que tem algumas linhas magníficas sobre a matéria. Chama-se O Túnel. O protagonista é um pintor, Juan Pablo Castel, que, além de ter bastante desprezo pelos críticos de arte (mais ainda pelos que o aplaudem), faz a crónica de um assassínio a partir da cadeia onde está preso; María Irribarne, a mulher que Castel matou, parecia, porém, a única pessoa capaz de prestar atenção a um pormenor de uma tela do pintor. Desde o momento em que a viu espreitar essa cena a um canto do quadro, Castel não descansou enquanto não a conheceu e essa relação tornou-se obsessiva. Depois, as coisas não correram assim tão bem, está visto. Mas o romance é notável sobretudo pela capacidade de dedução e argumentação, pois o seu narrador equaciona sempre todas as possibilidades e esse exercício a que eu chamaria, por vezes, exasperante é também uma prova de inteligência sem limites. A ler, claro.

3 comentários

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    António Luiz Pacheco 05.01.2015 12:08

    Assim, e para quem possa interessar-se e queira saber, li no entretanto:


    NÃO-ROMANCE

    Quem disser o contrário tem razão - Mário de Carvalho
    - Tinha que ser! Parece ter sido uma obra fundamental de 2014. Gostei? Bom, confesso que ficou um bocadinho aquém das minhas expectativas, mas por defeito meu, de simplista e cultura literária deficiente para conseguir absorver tudo. Mas foi útil e sem dúvida que se recomenda a traças literárias, pois também nos desperta para outras e mais leituras, além de desvendar/confirmar muita coisa que ignoramos ou nem sabíamos que afinal sabemos!

    Pão&Vinho - Paulo Moreiras
    - Bom! Incontornável até, numa perspectiva de quem goste e se interesse por comidas e pelas nossas coisas, sendo que o pão e o vinho são elementos fundamentais da nossa cultura e história!

    Os maus da história de Portugal - Ricardo Raimundo
    - Uma curiosidade, que me despertou o interesse e vale a pena ler e referir. Pode ir-se lendo a par de outras obras, sem prejuízo de nenhuma delas. Reúne informação de forma despretensiosa, está escrito numa forma acessível, e divulga personagens e factos mais ocultos da nossa história não só a quem normalmente lê estes temas, mas para todos!

    Moolb o reverso - Pedro A. Sande
    - Cuidado com este!
    Para quem conheça o pensamento do nosso Extraordinário, aqui expresso tantas vezes com a sua clareza, erudição e sobretudo visão esclarecida e desiludida, da vida, das coisas e das pessoas, é ainda uma viagem
    em que embarcamos, ao correr da idéia e das idéias do autor que vai reflectindo e dissertando sobre o Mundo em que vivemos, não o imaginário de um escritor mas o real de quem vive com os pés assentes no chão e está atento, sabe interpretar e discorrer não como o mero literato mas como o cidadão e convenhamos que alguém com uma dada formação técnica, social, política, económica…
    Pode ou não concordar-se com os seus pontos de vista, mas é interessante saber e acompanhar o autor e o seu alter-ego nesta viagem imaginada mas onde se analisa a realidade.
    Só não o incluo na categoria “romance” e vou guardá-lo na estante nº 3 da “casa do meio”, onde estão os títulos de ensaios, reflexões, etc. Este não é o Pedro A. Sande de Obsessão, o romanceador, longe disso… é outra coisa, o filósofo, o analista, que no fundo usa a capacidade literária mas não faz só literatura
    Há pessoas que me interessa saber o que pensam, Pedro A. Sande é uma delas, e, mo provou!
    Aconselhar o livro? É um risco… depende daquilo que procuramos no momento ou num livro, mas gostei e a quem goste de o ler por aqui, sem dúvida que sim.

    A galinhola - do bosque para a mesa - Alexandre Fernandes
    Um livro dedicado á mítica “dama do bosque”, que desperta a paixão de uma classe especial de caçadores com cão, tradicionalmente encarada como o supra-sumo da actividade cinegética.
    Um apaixonado da caça à galinhola que escreve, reúne textos de alguns caçadores e os seus, dedicados a este tema e como não podia deixar de ser ligando-o à culinária específica dedicada a esta ave, reputada como especial também na gastronomia.
    Não é livro que aconselhe aos Extraordinários, mas que refiro aqui como prova de que há também literatura nesta outra minha actividade, e que goste-se ou não, é uma actividade com a sua própria cultura que está viva e de boa saúde, reflectida no nosso Clube Literário Cinegético onde se reúnem caçadores que escrevem e amantes dos livros e que caçam. Somos muitos mais do que possa pensar-se e temos a tal actividade, reunindo-nos em tertúlias, jantares, encontros, lançamentos, apresentações, por todo o país.

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    António Luiz Pacheco 05.01.2015 12:09

    ROMANCE:

    Galveias - José Luis Peixoto
    - Não me vou alongar, pois trata-se de um dos mais celebrados e profícuos autores da actualidade, saudado pela crítica e bem-sucedido.
    Gostei! Gostei muito! Li de uma só tirada!

    Os segredos de Jacinta - Cristina Torrão
    Outro que li de uma só tirada, fui buscar ao posto dos CTT na Junta de Freguesia, sentei-me em casa e ao lume, depois do jantar para o folhear e já não o larguei!
    Atrevo-me a dizer que a Cristina Torrão se enquadra naquilo que José Mário Silva refere como sendo parte dos autores que mereciam atenção, divulgação e distribuição… esta “Jacinta” é um romance histórico, de aventuras e também de divulgação, que merecia ombrear com outras obras do mesmo quilate de autores com nome sonante e lugar cativo nas prateleiras das livrarias e mesmo supera alguns deles, para não falar dos muitos livros que vêm surgindo sobre temas históricos e ficam aquém deste!
    Não apenas porque agora parece ser moda escrever sobre temas históricos, sendo que a Cristina Torrão já tem obra publicada nesta área bem antes de se tornar viral! Também não se resume ao óbvio rigor e cuidado que a nossa autora, aliás licenciada em história, põe na escrita. Não é ainda pelo seu estilo notávelmente fluido e directo, de contar uma história e ir direita que que interessa sem arrebiques nem altos exercícios de estilização ou exibição da arte da escrita que óbviamente domina mas de que não abusa, o que torna a leitura tão fácil e agradável, sem cansar, por isso nos arrasta e leva atrás a querer saber o que vai acontecer a seguir, porque vamos correndo pelas linhas da leitura sem subidas ou descidas nem obstáculos, é sempre a direito, até ao fim! Mas, porque reside sobretudo na originalidade do tema que afinal é sobre a condição da mulher naqueles tempos conturbados e de incertezas, ignorados e secundarizados pelos feitos da espada!
    Vale como romance, sem dúvida, mas também pela recolha e divulgação do que era a vida das gentes não-guerreiras daquele período sobre o qual muito se fala, mas pouco sabe o leitor comum.
    A meu ver, também este romance devia ser incluído no plano nacional de leitura e muito se ganhava havendo sessões de divulgação nas escolas! Até porque de leitura fácil, que não cansa nem maça, repito, portanto próprio para jovens e para divulgação junto deles.

    O meu irmão - Afonso Reis Cabral
    O mais recente vencedor do prémio Leya, e a sensação do momento.
    Vale sobretudo pelo tema, desusado… mas que aposto vai ser moda nos próximos tempos e vamos ter livros com coxos, cegos, moucos (eu sou surdo que nem uma porta!), assim ao estilo de “O meu pé esquerdo” - lembram-se? Ou de “Rain man”.
    É de facto um bom livro, e jamais imaginaria a idade do seu autor… a mim não é a sua escrita que engana, mas o tema e a forma como o desenvolve que seriam sim de uma pessoa bastante mais madura.
    Está muito bem escrito, sem os tais exercícios de estilo que fariam dele uma coisa massuda e chata, conseguindo manter o leitor (neste caso eu) interessado em seguir o desenvolvimento, e, desperta a nossa sensibilidade até alguma ternura, sem deixar de ser crú e realista pois não embeleza nada!
    Revela ainda uma alma, uma humanidade que essa sim é rara num jovem!
    Gostei bastante!

    Saudações leitoras e enregeladas cá do Bairro Ribatejano, onde faz frio cum’ó raio!

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