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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

01
Abr15

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Sempre curiosa a respeito de novos autores, leio uma estreia vigorosa e muito aclamada de uma mais ou menos jovem norte-americana (36 anos) que, ao que sei pela badana, foi para Brooklyn ser empregada doméstica para poder escrever um romance. Pois saiu-se bem: os principais jornais e revistas de confiança nestas coisas – o Guardian, a New Yorker, o Economist, entre dezasseis publicações – consideraram A Vida Amorosa de Nathaniel P. um dos livros do ano. O protagonista, Nate para os mais próximos, acaba de negociar a sua primeira incursão na escrita ficcional por uma bela maquia (tudo indica que vai ter sucesso), é inteligente, bonito e culto, mas soma culpas por todas as mulheres que tem vindo a abandonar ao longo da vida, porquanto não parece saber viver um relacionamento sério, mesmo quando isso o faz sentir surpreendentemente bem. Desta feita, é Hannah, também aspirante a escritora publicada, igualmente culta e sofisticada, quem sofre os reveses da sua relação com o belo e interessante Nate, que tão depressa quer como não quer a sua companhia, a sua conversa e o seu sexo. Uma surpresa mesmo boa é ver como a autora, Adelle Waldman, se mete na pele de um homem e pensa masculino o tempo todo, falando das obsessões e medos do macho intelectual americano, que não perdoa o menor deslize cultural às suas parceiras. As conversas do grupo de amigos são, de resto, de um elitismo bastante inesperado, mas, enfim, estamos em Brooklyn, o bairro dos meninos que estudaram em Harvard e na Brown, procuram empregos em boas editoras e leram Proust e Flaubert. Vou ainda a meio e posso dizer que gosto bastante desta Hannah, vamos lá ver se ela consegue dar a volta ao difícil Nathaniel P.

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