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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

01
Set15

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Ora bom dia a todos – e espero que as férias (para quem as teve) tenham sido revigorantes, sobretudo em matéria de leituras. É mesmo por aí que começo e o melhor é ir direita ao assunto: 10:04, de Ben Lerner, saído recentemente para as livrarias portuguesas. Trata-se de uma obra que aparenta ser um romance, mas não é só isso, e que, num género que percebo estar agora em voga nos Estados Unidos (já aqui vos falei de Rebecca Solnit e do seu Esta Distante Proximidade, por exemplo), talvez seja mais interessante do que a maioria, pelo menos a avaliar pelos encómios dos pares do autor e pelas críticas positivas das publicações respeitáveis. Pois bem, dito isto, começa por estranhar-se e depois, como na frase de Pessoa, entranha-se. Livro em que narrador e autor são figuras que coincidem, em que personagens com nomes diferentes acabam por ser as mesmas, em que o livro que o narrador está a escrever e pelo qual lhe pagaram uma bela maquia é e não é o que estamos a ler, enfim, aqui as categorias da narrativa estão bastante baralhadas e podem baralhar-nos também a nós, se não estivermos suficientemente atentos. Mas, se estivermos, apreciamos as reviravoltas e proezas do autor, ou narrador, ou seja o que for, enquanto descobre uma deficiência na própria aorta, combina com a melhor amiga ser pai biológico do seu filho, faz uma residência literária no deserto do Texas ou ajuda um miúdo hispânico de uma família «sem papéis» a escrever um trabalho sobre um dinossauro que nunca existiu. O livro é bastante exigente e o tradutor fica um nadinha aquém; em todo o caso, para quem gosta de meta-literatura, vale a pena atrever-se a esta ficção/não ficção do aplaudido Ben Lerner.

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