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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

01
Fev17

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

O meu querido irmão Jorge ofereceu-me no Natal o último livro de Ian McEwan, Numa Casca de Noz, traduzido por Ana Falcão Bastos, que tenho o prazer de conhecer há muitos anos. Possuo – julgo eu – a obra ficcional completa de McEwan (comecei a lê-lo pel’ O Jardim de Cimento em 1987, era ele um jovem e eu também), mas ainda não tinha conseguido pegar nesta maravilha que ando agora a ler. O protagonista do romance é – pasme-se! – um feto (enroladinho como se estivesse numa casca de noz) e, por acaso, já não lhe falta assim muito tempo para nascer. Concebido por Trudy (uma doidivanas manipuladora que bebe demasiado vinho, especialmente para uma grávida) e John (um editor de poesia melancólico que a ama desesperadamente), o bebé que fala connosco ouve tudo o que se passa dentro do corpo mãe (os pormenores são divinos) e bem assim cá fora, perto dela; e, por isso, não só anda preocupado com o estado do mundo a que virá aportar (Trudy gosta de ouvir rádio e as notícias raramente são animadoras), mas sobretudo com a família que lhe calhou em sorte, pois a mãe está em vias de trocar o marido pelo cunhado e, com a ajuda deste, «livrar-se» de John e… também, a seu tempo, da criança que tem na barriga. A cerca de duas semanas do parto, a indignação do bebé é grande e vamos ver como as coisas se vão desenrolar até lá, que ainda me faltam umas cem páginas, onde tudo pode acontecer. Uma escrita fantástica, uma leitura desafiante.

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