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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Out17

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Já tinha este livro perto de mim há muito tempo, como que reservado, mas só agora consegui efectivamente começar a lê-lo. Trata-se de Yoro, um romance de Marina Perezagua (que esteve presente na última edição das Correntes d’Escritas), uma escritora sevilhana que ensina espanhol numa universidade americana e nada quatro horas seguidas (uf!). É, sem dúvida, uma obra original e, depois de me ter encontrado com a hermafrodita de Arundhati Roy, não fazia ideia de que descobriria outra tão cedo. A deste livro está  a redigir um longo testemunho e assina simplesmente «H» (como a bomba). Sabemos que cometeu um crime (mas não qual) e que é uma sobrevivente de Hiroxima (tinha treze anos na altura da tragédia que ironicamente lhe permitiu, por danos profundos no seu corpo, escolher um sexo que não era o que os pais lhe haviam destinado). Ironicamente também, apaixona-se por Jim, um soldado norte-americano que foi feito prisioneiro (e sujeito a torturas terríveis) pelos Japoneses, a quem é entregue, no fim da guerra, uma órfã japonesa para criar nos primeiros cinco anos de vida – Yoro, a que dá nome ao romance.  É esta  criança que H e Jim procurarão juntos ao longo de anos pelas mais diversas geografias: um culpado de a ter deixado ir, a outra ansiando a filha que não podia ter tido. E, pelo caminho, muito se vai passando, e eu, já não muito longe do fim, percebi finalmente o que está H a fazer no Congo, donde escreve o seu testemunho, mas ainda não o crime que cometeu. Elogiado por Salman Rushdie, Yoro é uma leitura que vale a pena.

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