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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Mai14

O rapaz e o mestre

Maria do Rosário Pedreira

Está na rua a última novela de Mário Cláudio, um primor sobre a relação de um génio com um dos seus discípulos dilectos. Trata-se nem mais nem menos de entrar, pela mão do escritor portuense, no estúdio de Leonardo da Vinci e de conhecer Giacomo, um adolescente de cabeleira loura aos caracóis, ainda não totalmente livre de piolhos, que o pai, cansado das suas tropelias, vem deixar aos cuidados do mestre, para que ele o alimente e eduque. Mas não será tarefa fácil, porque o rapaz, apesar da sua aparência de anjinho, é um diabrete – e a primeira coisa que faz é surripiar a bolsa de Leonardo, subtraindo-lhe as moedas com que ele iria pagar-lhe umas roupas novas para o tirar dos seus tristes farrapos. Em farrapos ficarão, pois, também as vestes por estrear, que, para génio que se preze, o castigo tem de ser mostrado logo de início. Este episódio é, porém, apenas o começar de uma relação que durará vinte e cinco anos, em que o grande cientista construirá a sua máquina de voo, exumará cadáveres, coreografará cortejos reais e pintará as suas principais obras sob o escrutínio do rapaz que, sem grande talento a não ser para a asneira, não sairá do seu lado e cultivará uma fidelidade e um ciúme equivalentes. Notável, este Retrato de Rapaz é como uma pintura muito bela e viva que deve absolutamente ser lida por todos os que gostam de Da Vinci e de literatura.

 

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