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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Set15

O totalitarismo de volta

Maria do Rosário Pedreira

Não é surpresa que alguns de nós sentimos que, apesar da queda dos muros e dos regimes totalitários, há muita coisa má que está de regresso, umas vezes sub-repticiamente, outras nem tanto. Agora é o senhor Putin que se arma em culto e quer seguir os passos de Oprah Winfrey, aconselhando livros para os leitores da sua nação com uma espécie de Clube do Livro. E mais: promete ajuda na renda e um corte nos impostos aos livreiros que exponham uma lista de livros propostos pelo seu governo… O objectivo, diz um seu ministro, é aumentar as vendas de literatura de qualidade, bem como das obras sobre arte, história e educação. Assim as coisas até nem parecem ter nada de preocupante, excepto quando o discurso começa a referir livros que «contribuam para o sentimento patriótico da população» e outras frases do tipo, o que já lembra uma certa propaganda. Sabe-se, ainda por cima, que houve directivas governamentais para certos manuais escolares que as crianças russas usavam há anos serem banidos do sistema educativo, e os livreiros queixam-se de que foram «aconselhados» a retirar dos seus espaços comerciais obras que poderiam ser consideradas ofensivas apenas por terem símbolos fascistas nas suas capas (a suástica em Maus, de Art Spiegelman, foi um deles). Sob o véu da promoção da literatura, muitos acreditam que Vladimir Putin quer moldar as mentes dos leitores. Cuidado.

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