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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

08
Abr15

Perder

Maria do Rosário Pedreira

Em pequenos, nunca tivemos lá em casa animais de estimação – excepto um gato encontrado doente durante um Verão que, quando voltámos para casa, no fim das férias, foi com alguém que se ofereceu para cuidar dele, mas pouco depois fugiu e nunca mais se soube o que lhe acontecera. Lembro-me vagamente de um periquito – cuja gaiola a minha avó limpava afanosamente –, mas então já eu era adolescente; e também de um aquário com três peixes, dois dos quais morreram quase imediatamente, sobrando apenas o mais feio – que viveu até aos meus quinze anos, uma raridade. Recordo-me, porém, de alguém ter dado a um dos meus irmãos um grilo numa gaiolinha na primeira casa onde vivi (antes, portanto, dos meus seis anos) e de, por causa do sabão que escorreu dos lençóis do andar de cima (nesse tempo ainda não havia máquinas de lavar roupa), o desgraçado ter sucumbido e causado muitas lágrimas, sobretudo a esse meu irmão. Nunca é fácil lidar com a perda de um animal querido – e agora há um belo livro sobre o assunto chamado Gato Procura-se, assinado por Ana Saldanha e com ilustrações de Yara Kono. É, para abreviar, a história de um gato que morre; o problema é que os pais do dono, um rapazinho, não conseguem dar-lhe a notícia e inventam que o felino anda pelos telhados e um dia ainda há-de voltar; os avós não prometem o regresso, mas também arranjam eufemismos, dizendo que o pobre gato foi para o céu, que agora é um anjo, que tem asas e outras coisas do tipo. Só a criança, afinal, parece ter realmente a certeza do que aconteceu e perceber que o gato não regressará. Uma história simples mas bonita sobre a perda que poderá ajudar muitos pais a lidarem com a questão da morte de um animal de estimação junto dos filhos. Leitura sensível.

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