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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Abr14

Pérolas

Maria do Rosário Pedreira

Chega-me às mãos um livrinho de uma pequena editora, a Glaciar, chamado Os Cinco Enterros de Fernando Pessoa. É uma antologia poética de Juan Manuel Roca, um dos nomes mais importantes da poesia da Colômbia, nascido no ano de 1946 e premiado com tudo e mais alguma coisa, não apenas no seu país, mas em toda a América de língua espanhola e também em Espanha. A selecção dos textos (um dos quais dá, de resto, nome ao volume) esteve a cargo de outra poeta colombiana, Lauren Mendinueta, e a tradução chega-nos pela mão de Nuno Júdice, que sabe o que faz. Como a melhor forma de conhecer qualquer poesia é através da leitura, não servindo de muito dizer apenas coisas sobre ela, fico caladinha hoje e mostro um poema, esperando que ele impressione positivamente os leitores deste blogue. Pelo menos, tanto como a mim. Até porque fala de um assunto que nos interessa a todos.

 

 

Breve História de Ninguém

 

Diz o senhor Nabokov que a literatura não nasceu quando uma criança de um vale do Neandertal chegou a gritar: Um lobo! Um lobo!, e atrás dela, as quatro patas no ar, um lobo cinzento brandia a sua língua estralejante.

Diz, melhor, que a literatura nasceu quando uma criança de um vale do Neandertal chegou a gritar: Um lobo! Um lobo!, e atrás dela não vinha ninguém.

Desde então, ninguém é um personagem eterno, um fantasma nos vales do poema.

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