Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Mai17

Pimenta na língua

Maria do Rosário Pedreira

Não, não se trata de dizer asneiras… Pelo contrário, de falar muito a sério. Todos sabemos que hoje, no mundo inteiro, o inglês é a língua de comunicação por excelência entre pessoas de diferentes nacionalidades e que, em Portugal, até já há muita gente que a utiliza no meio de palavras da sua língua (sexy, input, top model, online, designer, fitness… ui, são tantas!), alegando que os vocábulos ingleses exprimem melhor o que querem dizer do que os seus correspondentes nacionais. O inglês instalou-se por causa das músicas, dos filmes, das séries – e, talvez, grosso modo, por causa do tamanho e da importância da América nas nossas vidas (foi por isso que a eleição de Trump foi tão falada por cá). Mas o senhor Jean-Claude Juncker, ao discursar para um grupo de diplomatas em Florença, nas vésperas das eleições francesas, sobre as negociações que o Brexit implica, disse não ter quaisquer dúvidas de que a língua inglesa vai perder importância na Europa (mesmo que isso vá acontecer lentamente) – e disse-o em inglês, para Theresa May ouvir lá na terra dela, passando imediatamente ao francês, quiçá para avisar os Gauleses que tivessem tino ao votar e não escolhessem ninguém que se lembrasse de referendar a saída da França da União Europeia. Pois, calculo que Juncker esteja chateado com os ingleses e queira pôr pimenta na língua do Reino Unido, falando tão pouco inglês quanto possível; mas não sei se tem razão ao dizer que a língua inglesa vai perder peso na Europa. Será?... É que as séries, os filmes, as músicas... continuarão, acho eu, a ser maioritariamente em inglês. E isso, creio, faz toda a diferença.

15 comentários

Comentar post