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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

31
Mar14

Poesia ao alcance de todos

Maria do Rosário Pedreira

Comprei há muitos anos em Nova Iorque, na loja de um museu, um jogo de poesia com ímanes para colar no frigorífico. Tratava-se de um conjunto bastante versátil de versos que podíamos organizar segundo nos parecesse melhor e deixar na porta do nosso maior electrodoméstico, enchendo a cozinha de aromas poéticos. Os versos não eram grande coisa, mas a jigajoga tinha alguma graça. Também conheço um livro maravilhoso de Raymond Queneau, cujo original esteve, de resto, recentemente numa exposição dedicada aos livros na Fundação Calouste Gulbenkian, chamado Cent mille milliards de poèmes, feito com tirinhas cortadas ao longo das páginas, cada uma com seu verso, podendo construir-se mais de um bilião de sonetos diferentes, aproveitando-se de cada página a tira de papel mais conveniente, numa experiência bem engraçada de poesia combinatória. É uma outra maneira de brincarmos aos poetas, mas acabo de descobrir que se chegou ainda mais longe: um investigador da Universidade de Coimbra, Hugo Gonçalo Oliveira, criou o «poeta artificial», um software capaz de compor poesia sobre qualquer tema, através de uma rede de palavras relacionadas por sentidos, transmitindo sentimentos negativos ou positivos, apresentando configurações várias (quadras, sonetos, etc.) e suscitando emoção. Segundo o seu criador, não pretende este PoeTryMe – assim se chama o programa – ser melhor do que ninguém nem ombrear com poetas de carne e osso, mas tão-só estimular a criatividade e servir de fonte de inspiração. Se for jogo, há-de ser, digo eu, divertido. Mas espero que os seus «jogadores» não se lembrem depois de querer de repente publicar livros com o resultado das suas brincadeiras ou acusar de plágio os parceiros...

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