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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Set15

Poesia conjugal

Maria do Rosário Pedreira

Hoje tenham paciência, mas não me vou esforçar muito. Logo à tarde o Manel vai apresentar livro da sua autoria e dá-me de mão beijada um tema para o post de hoje. Pois é, depois de muita insistência minha e de muita preguiça dele (a história já tem uns anitos), lá se convenceu o senhor editor e marido a olhar para toda a sua produção poética escrita desde os anos 1960 até hoje e a escolher os poemas que achou deviam figurar num livro para a posteridade. A sua Poesia Reunida chama-se por isso O Pouco Que Sobrou de Quase Nada (ele foi demasiado exigente, mas a vida do editor é cortar, cortar…) e vai ser lançada hoje pelas 18h30 no Restaurante do El Corte Inglés. Aqui fica uma amostra à la O’Neill para os mais curiosos:

 

CHIADO

 

aquelas pernas ali a dar a dar

dos homens levam os olhos ao passar

 

são borboletas canários verde mar

onde mergulho a medo o meu olhar

são promessas que sei sem cobertura

de uma viagem pela interior natura

 

aquelas pernas ali a dar a dar

dos homens levam os olhos ao passar

 

são às dezenas às centenas ao milhar

a desenharem nos passeios pombas brancas

nascem nos pés e vão até às ancas

por um caminho que é bom de passear

 

aquelas pernas ali a dar a dar

dos homens levam os olhos ao passar

 

umas claras são outras morenas

umas marias outras manuelas

umas maiores outras mais pequenas

mas as tuas são melhores que todas elas

 

as tuas pernas aí a dar a dar

que já nem posso este poema terminar

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