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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

22
Set14

Primeira e última

Maria do Rosário Pedreira

Há mais de dez anos, publiquei um livro de um então jornalista do Expresso, Orlando Raimundo, baseado num grupo de reportagens que ele escrevera para o jornal e cujo denominador comum era Marcello Caetano. O ensaio central dessa obra contava uma história pouco conhecida: a da sua filha Ana Maria que, por causa da doença nunca publicitada da mãe, teve de fazer as vezes de Primeira-Dama ao lado do pai, renunciando a uma vida própria e até a um casamento que já estava agendado. Mas nessa altura Orlando Raimundo não disse tudo o que sabia e, com o tempo, investigou também sobre outros assuntos directamente relacionados com o último Presidente do Conselho do Estado Novo, refazendo a obra e acrescentando-a de forma significativa, de modo a torná-la um ensaio biográfico de Marcello Caetano muito vivo; nele aprenderemos tudo sobre as suas origens, as ajudas que recebeu no período de formação (de um homem de esquerda, o que é muito curioso), a história de amor com Teresa Barros – a mulher que sofria de um distúrbio grave –, o grupo de pressão que o ajudou a chegar ao poder e também o seu posicionamento em relação a África e à manutenção das Colónias. Com uma linguagem simples e factos pouco conhecidos da maioria do público – como a identidade do noivo de que Ana Maria Caetano teve de desistir –, A Última Dama do Estado Novo e Outras Histórias do Marcelismo é uma obra fundamental sobre a nossa história recente.

 

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