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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Jul14

Que mais inventar?

Maria do Rosário Pedreira

Já todos vimos livros à venda com ofertas: de lápis, echarpes, perfumes, leques e sei lá que mais. Mas, na generalidade, trata-se de romances levezinhos, de componente romântica, vendidos a senhoras que gostam de histórias da carochinha e que, se não comprassem livros, comprariam as revistas de sociedade (que, não por acaso, também oferecem malas, faqueiros, bolsas de praia e tralha de cozinha). Só que agora vem aí um livro supostamente sério (bem, pelo menos, o autor é mencionado sempre que estamos à espera de saber quem ganha o Prémio Nobel da Literatura – o que considero um exagero, mas há quem não concorde) e traz uma folha de autocolantes de brinde para os leitores enfeitarem as páginas do romance... Não, não é brincadeira: trata-se do próximo livro de Haruki Murakami e a dita folhinha inclui ilustrações de cinco artistas japoneses famosos. Ao que parece, o nome do protagonista – em japonês, Tsukuru – significa «construir» e, assim, é dada ao leitor a possibilidade de ir construindo qualquer coisa ao longo da leitura, colando aqui e ali um dos bonitos stickers. Não sei se a ideia foi do marketing editorial, se do autor, porque os japoneses, ao que sei, apreciam brinquedos na idade adulta (vi uma reportagem sobre a matéria há uns anos e lembro-me de um administrador da SONY que coleccionava Barbies, tinha mais de 300); também não sei se aqui na LeYa os autocolantes se irão manter, mas lá que me parece mais uma forma de infantilizar o leitor, parece. Um dia destes, ainda vendem o Roth com páginas para colorir. Nem quero imaginar quais vão ser as ilustrações...

 

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