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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

07
Set16

Regresso ao passado

Maria do Rosário Pedreira

No ano do centenário de Vergílio Ferreira, decidi levar para férias, entre muitos outros livros, Até ao Fim, um romance publicado no final dos anos 1980 que, sei lá porquê, nunca tinha chegado a ler. Mas este meu reencontro com o autor de Aparição ou Manhã Submersa foi bastante estranho e não creio que isso tenha que ver com o facto de só ter lido Vergílio até aos vinte e tal anos e ter agora outra experiência de leitura e outra maturidade. Não. Até ao Fim (uma «conversa» entre um pai e o seu filho morto sobre a vida, as mulheres, a família…) é, se quisermos, um romance que terá sido moderno na sua época – arrojado, até – mas que hoje não consigo deixar de ler como qualquer coisa que inequivocamente passou de moda. Não me interpretem mal (Vergílio é sempre Vergílio e li-o «até ao fim»), mas, talvez porque tantos o tenham copiado (ainda hoje consigo ver aonde certos jovens escritores foram buscar meia dúzia de maneirismos), fica difícil apreciar a frase quebrada, a falta de pontuação, os tiques que na altura em que o livro foi publicado certamente seriam uma invenção prodigiosa, uma inovação estilística, mas que agora simplesmente me parecem um tudo-nada datados. Já me preparo, de resto, para um dia destes voltar a Aparição, uma obra mais clássica, para provar que o mestre é o mestre e que muitas das suas obras são realmente eternas. Até porque posso estar enganada nesta minha apreciação.

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