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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Jun15

Roubado em Lisboa

Maria do Rosário Pedreira

A minha mãe tem sobre a cómoda do quarto uma bonita tacinha de porcelana; quando a viramos ao contrário, diz na base: «Roubada em Madrid no Hotel x.» Roubar é feio, claro, mas o hotel de que já não recordo o nome incentivava a isso – ou, se quisermos, dava um presente aos hóspedes de forma bastante original. Na minha adolescência, tive amigos que rapinavam coisas – não muito importantes, é certo, mas mesmo assim…- e tinham descontracção para isso, o que nunca foi o meu caso. Também alguns colegas de faculdade iam a livrarias e à Feira do Livro apetrechar-se de leituras. Nunca fui capaz, por mais que gostasse de ler e achasse que os livros mereciam ser lidos fosse de que maneira fosse. Um dia destes, uma amiga contou-nos que tinha roubado sem querer a revista Estante, uma publicação da FNAC, de pequeno formato e papel reciclado (pelo menos, aparenta), com entrevistas, artigos de opinião, recensões e curiosidades à roda dos livros. Disse-nos que pensou que era para as pessoas levarem – até pela forma como estava exposta – e que só ao chegar a casa se apercebeu de que, na contracapa, havia uma etiqueta com o preço (1,50 €), mas que já não teve forças para voltar à loja. E – curioso – foi só quando acabou de contar essa sua história que o Manel olhou para mim e para ela alternadamente com um sorriso maroto e a seguir lhe perguntou se era mesmo verdade que a revista se vendia. É que também ele a tinha roubado... sem querer. Pelos vistos, a Estante tem ar de coisa para dar, mas, meus senhores, não diz «Roubada em Lisboa» e, embora baratinha, tem um preço. Assim sendo, se a virem numa loja da FNAC, não se distraiam.

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