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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Set17

Sempre a subir

Maria do Rosário Pedreira

Livro sensação da última Feira do Livro de Frankfurt, o romance do italiano Paolo Cognetti intitulado As Oito Montanhas acabou por ser vendido rapidamente para mais de trinta países, incluindo Portugal. É uma história de amizade improvável entre Bruno, um rapaz da montanha que guarda rebanhos para um tio bruto (como, de resto, o pai, a mãe e os primos, todos brutos como a rocha), e Pietro, um menino da cidade, filho único, com um pai de personalidade bastante difícil que venera as montanhas e teima em subi-las todos os verões, arrastando para isso mulher e filho. Com personagens muito bem desenhadas, nunca a duas dimensões (e como seria fácil tender para a caricatura num ambiente atrasado como o que nos é dado ver na aldeia de Grana, onde se passa a história), este romance é mesmo sempre a subir, como uma montanha que é preciso ir escalando até se perceber por que motivo certas pessoas são como são (o pai de Pietro, por exemplo, ou mesmo Bruno, que desce uma única vez à cidade grande para ver como é). Hino à amizade, mas nada óbvio no tratamento do tema e tudo menos lamechas, é uma obra com qualquer coisa de clássico que, acredito, veio para ficar.

 

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