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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Jul16

Teoria e prática

Maria do Rosário Pedreira

Muito se tem falado nos últimos tempos de educação pública e privada, de crianças que andam em colégios particulares pagos pelo Estado quando existem escolas públicas na zona (algumas quase sem alunos), de quebras de contratos, promessas incumpridas, manifestações. etc., etc., etc. Não conheço a questão em pormenor – mas em teoria parece-me obviamente justo que o Estado invista sobretudo no ensino público e que quem quer os seus filhos em colégios privados pague para isso. Haverá nuances, bem sei, e portanto não vou além deste comentário mais teórico. Já quanto à oferta dos livros escolares pelo Estado aos alunos, se em teoria me parece igualmente certa, pois a verdade é que tenho uma amiga professora num país onde os manuais são entregues pelo Estado às escolas (e lá ficam até se estragarem) que me diz que os efeitos práticos às vezes acabam por marcar bastante mais as diferenças entre ricos e pobres: os pais com dinheiro querem que os seus filhos possam estudar em casa e acabam por comprar-lhes manuais novinhos em folha, só para eles, enquanto os alunos de meios mais desfavorecidos estudam apenas na escola e por livros usados. Esta política da oferta, que em teoria é claramente positiva para os pais e encarregados de educação, torna-se também na prática uma medida terrível para as pequenas livrarias portuguesas que têm na venda dos livros escolares a sua principal fonte de receita. Se muitas fecharem, desaparecerá em muitas zonas, aliás, o único ponto de contacto das populações com os livros, facilitando-se o aumento da iliteracia de forma indirecta quando, afinal, o objectivo era fazer com que mais estudassem sem terem de pagar. Estranho, não? Isto da teoria e da prática tem muito que se lhe diga…

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