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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

24
Jul15

Turistas de livrarias

Maria do Rosário Pedreira

Há dois meses fui fazer o lançamento do romance No Dia em que o Sol se Apagou, de Nuno Gomes Garcia, à Livraria Lello, na cidade do Porto; e, se a sessão não se tivesse desenrolado no primeiro andar, teria sido simplesmente impossível ouvir as palavras do apresentador, tantos eram os turistas que entravam e saíam do lugar e as exclamações entusiastas que proferiam ao mirá-lo. A Lello vem referida em todos os guias da Invicta como uma das atracções da cidade – e vale muito a pena visitá-la, mesmo a 3 euros – mas há outras que também estão nos roteiros turísticos de Portugal por razões diferentes; uma delas, conhecida como a «Livraria do Simão», nas Escadinhas de S. Cristóvão, ali à Rua da Madalena, em Lisboa, é, tanto quanto li, descrita como «a mais pequena livraria do mundo» e isso parece atrair para lá os turistas, a quem alguém diz – verdade ou não – que até está no Guinness Book! E eis que, diante disso, todos sacam da máquina fotográfica e do telemóvel para fazerem umas chapas que estão, afinal, entre as mais disparadas de Lisboa. O livreiro (Simão, claro) diz que, sem saber, criou «um monstro maior do que ele» - e é curioso utilizar a palavra «monstro», tratando-se, afinal, de uma livraria minúscula, quase claustrofóbica, com livros do lado de fora, pois já não cabem mais lá dentro. No entanto, foi nestas Escadinhas de S. Cristóvão que Manoel de Oliveira rodou A Caixa, por isso o espaço é ainda mais especial. Turistas à parte, se conseguir romper por entre a multidão, é de lá dar um salto e uma espiadela!

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