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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

22
Nov17

Uma centena

Maria do Rosário Pedreira

Adoro organizar antologias e percebi isso há relativamente pouco tempo, quando me convidaram para antologiar os poetas eruditos que escreveram para fado ou a quem os fadistas roubaram poemas que transformaram em letras (às vezes com um nadinha de liberdade a mais). Mas, se me pedissem para reunir num volume os autores ou textos de que mais gostasse, ui, acho que ficaria uma eternidade a pensar e dificilmente conseguiria decidir. Admiro por isso o jornalista José Mário Silva, o responsável pela secção de livros no seminário Expresso, ao juntar num mesmo volume Os (seus) Cem Melhores Poemas Portugueses dos Últimos Cem Anos (a editora é a Companhia das Letras), que abrangem Pessoa, Sophia ou Herberto, evidentemente, mas também Inês Dias, Matilde Campilho ou Rosa Oliveira, poetas que começaram há menos tempo. No prefácio, ele admite que o livro não é senão a sua escolha pessoal – e, como tal, subjectiva – mas claro que no Facebook já houve quem discutisse presenças e ausências, como se o livro afinal devesse ser um desses tesouros da literatura que antes se publicavam e que contemplavam quase sempre os mesmos batidíssimos versos. Neste livro, admito que muita gente que habitualmente não lê poesia, levada pelo «melhores» do título, vá pela primeira vez ler muitos dos autores (Jorge Sousa Braga, Daniel Faria, Luís Quintais, Miguel-Manso, eu?…) e se interesse por algum, começando a comprar os seus livros. Mas para outros leitores, como eu, o divertimento está sobretudo em ver o que faríamos diferente na escolha dos nomes e dos poemas. Provavelmente, quase tudo… Bem, se quer uma amostra da poesia que se escreve de há um século para cá, aqui tem um bom ponto de partida.

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