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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

06
Jul15

Uma pérola

Maria do Rosário Pedreira

Pronto, cá estou de volta para falar de coisas de que todos gostamos: livros, claro. Tirando partido das novas edições da editora Livros do Brasil e da querida Colecção Dois Mundos que consumi muito enquanto jovem, leio e releio títulos vários de grandes autores, ente os quais A Pérola, de Steinbeck, uma novela que me dizem estar integrada no Plano Nacional de Leitura – e não admira, pois veicula valores importantes e uma certa moral contra a ganância e o desejo de riqueza tão patentes nas sociedades modernas. A história é, de resto, muito simples: um pescador índio chamado Kino encontra uma grande pérola nunca vista, talvez a maior pérola do mundo; e se, ao início, o seu desejo é que, com a venda dessa pérola, o filho bebé possa ser um dia um homem letrado e mais abastado do que ele próprio, pois a verdade é que a pérola acaba por só trazer problemas à família: a inveja alheia, antes de tudo, mas também a atracção desmedida por aquilo que ela poderá proporcionar. A vida do índio muda então drasticamente da noite para o dia: enganam-no, incendeiam-lhe a casa, atacam-no, levam-no inclusivamente a fugir e a matar. E o seu filho não terá nada do que o pai desejou para ele no dia em que encontrou a pérola, nada de nada, porque também ele será vítima do mal trazido por ela. Sucinto, sem gorduras, belo na descrição das paisagens, A Pérola é uma pérola muito simples que todos os jovens deviam ler – e os mais velhos também – neste tempo escuro em que parece muito mais importante ter do que ser.

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