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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Abr16

Uma questão de idade

Maria do Rosário Pedreira

Nos últimos tempos, proliferaram na imprensa portuguesa entrevistas e artigos de opinião sobre como as gerações mais novas estão a ficar perigosamente infantilizadas e como os adultos, especialmente os pais e educadores, têm responsabilidade nesse facto. «Estamos a criar crianças totós, de uma imaturidade inacreditável» era o título de uma entrevista publicada no Observador, que aproveitava uma declaração do entrevistado, o professor Carlos Neto, especialista em motricidade humana. Carlos Neto trabalha com crianças há quase cinquenta anos e deixou de há uns anos para cá de ver joelhos esfolados – o que era muito saudável, sinónimo de que os miúdos brincavam –, passando, em vez disso, a encontrar meninos que cumprem agendas complicadíssimas (ele chama-lhes «superagendas») que não lhes permitem «estar em confronto com a natureza, em confronto com o risco e com o imprevisível, com a aventura». Quase ao mesmo tempo, leio que a Sociedade Estoril-Sol, promotora do Prémio Literário Agustina Bessa-Luís, decidiu retirar do regulamento do concurso o limite de idade de 35 anos, considerando que condiciona o aparecimento de novos valores (o prémio é para obras inéditas em língua portuguesa, de autores que nunca tenham publicado ficção). Estarão porventura as duas coisas ligadas?

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