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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Jan15

Utopia

Maria do Rosário Pedreira

A Europa está de rastos, já o sabemos – e as ameaças que vêm de fora são muitas. Olhar para a Europa hoje e imaginar o que pode acontecer-lhe neste século é um exercício interessante, e foi exactamente isso que fez Miguel Real no seu mais recente romance, O Último Europeu, que acaba de sair para os escaparates. A obra tem como narrador um Reitor da Nova Europa, um enclave dentro de uma Europa que, com o esgotamento dos recursos, as guerras e a fome, se tornou um gigantesco baldio no qual imperam clãs violentos. Nesse pequeno reduto de calma, protegido do resto do mundo por um cordão de segurança, um grupo de sábios conseguiu, porém, construir uma sociedade perfeita, mesmo que algo fria, na qual os habitantes podem suprir todas as necessidades, desejar o desejável e viver em equilíbrio. As coisas correram maravilhosamente até ao momento da narração, o ano de 2284, mas agora a Grande Ásia, lutando com problemas sérios de demografia, reclama o espaço da Europa para arrumar os seus habitantes. E, então, aquilo que era um paraíso comandado por uma tecnologia de ponta, deixa de o ser. O Reitor, um dos poucos que ainda conhecem a história da velhinha Europa, encabeçará um grupo de pessoas em fuga para a replicação da sua utopia num outro território. Consegui-lo-á? Esta aventura, que só aparentemente é ficção científica, constitui uma reflexão extremamente actual que devemos acompanhar até para entendermos o que podemos fazer já pelo nosso futuro.

 

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