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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Mai17

Ver passar comboios

Maria do Rosário Pedreira

Um dos amigos que ganhei com o casamento é um engenheiro que se especializou em transportes e que sabe absolutamente tudo o que há para saber sobre comboios (alta velocidade, ramais, construção, linhas desactivadas, percursos, acidentes, etc.). É fascinante, de resto, ouvi-lo falar do assunto e aprender tanta coisa que nunca me tinha sequer passado pela cabeça. Os comboios atraem muita gente e há um certo romantismo em redor das longas viagens ferroviárias – o Expresso do Oriente, o Transiberiano – mas também um lado trágico por detrás da construção dos caminhos-de-ferro, sobretudo em territórios com condições climáticas extremas (em alguns lugares, as mortes foram numerosas). Raramente, porém, se fala dos profissionais que dedicam a vida aos comboios – e agora o jornalista Carlos Cipriano, mediante entrevistas e recolha de testemunhos, resolveu fazer, em Guardas de Passagem de Nível, o retrato de quem está na base da pirâmide: heroínas anónimas que, longe de ver apenas passar os comboios, vivem à beira da linha, em lugares tantas vezes inóspitos aonde a tecnologia ainda não chegou, e garantem que «a composição» pode seguir e que os transportes rodoviários e os peões não atravessam a passagem de nível. Para quem goste de comboios, como eu, é para espreitar. O livro é publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

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