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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Out15

Zumbir

Maria do Rosário Pedreira

Esta é a história da Abelhinha, mas não se iludam, porque é tudo menos infantil. É um livro de que me falaram muito – e bem – há já uns anos e cuja leitura fui adiando porque aparecia sempre outra coisa mais urgente, mas agora consegui degustá-lo de uma assentada. Passa-se entre Londres e a Nigéria, e faz-me alguma espécie não ter sido mencionado nos recentes artigos sobre africanos que vêm escondidos nos porões dos cargueiros em busca de estabilidade na Europa, porque é disso mesmo que se trata e não pode estar mais na ordem do dia. Chama-se A Pequena Abelha e escreveu-o Chris Cleave, autor que nasceu nos Camarões. Está traduzido em tudo o que é sítio e fez parte das listas dos livros mais vendidos em países como o Reino Unido e os Estados Unidos no ano da sua publicação, recebendo elogios dos mais prestigiados jornais e revistas (incluindo o Guardian e o New York Times). E fala da história verdadeiramente trágica da Abelhinha, nome escolhido por uma rapariga nigeriana de catorze anos que foi testemunha da destruição da sua aldeia por causa do malfadado petróleo e, conseguindo embarcar clandestinamente rumo a Inglaterra, é internada num centro de detenção para refugiados e libertada dois anos depois em Londres – mas seria talvez mais correcto dizer «despejada por engano» numa das maiores cidades do mundo. Na contracapa do livro pedem aos leitores que não contem a história a ninguém, por isso não vou ser desmancha-prazeres. Direi apenas que tem momentos terríveis, dolorosos, bonitos, duros, também algo lamechas, e – além da Abelhinha – tem mais duas outras personagens de peso: uma jovem viúva inglesa e o seu filho de quatro anos, o fã número um do Batman, que protagonizam cenas impressionantes. E pronto: se estão interessados no assunto dos novos migrantes, aqui têm uma obra para perceberem melhor certas coisas. Além do que já sabem, bem entendido.

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