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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Abr19

Galveias

Maria do Rosário Pedreira

O romance Galveias, de José Luís Peixoto, de que já aqui falei quando saiu e de que gostei mesmo muito, venceu o maior prémio de tradução do Japão, depois de ter sido nomeado como um dos cinco finalistas, ao lado de obras de Wu Ming-yi, William Gaddis, Han Kang e Richard Flanagan. A tradutora, Maho Okazaki Kinoshita, que esteve em Galveias e foi fotografada com algumas das pessoas que lá moram (quiçá algumas delas personagens do livro que traduziu), está de parabéns – ela que, segundo li, nunca pensou ser alguma vez nomeada para um prémio desta importância e estava receosa de, na sua língua, não ter conseguido plasmar a diversidade e riqueza das figuras e do mundo criados por José Luís Peixoto. A cerimónia de entrega decorre a 27 deste mês em Tóquio. Galveias é o primeiro livro português a receber esta distinção e, desde que saiu em japonês, em Agosto de 2018, pela prestigiada editora Sinchosha, esteve no Top de vendas da mais prestigiada livraria japonesa entre muitas obras traduzidas. Parabéns também ao autor, que escreveu um romance profundamente original que conseguiu atravessar as fronteiras e transformar-se num texto igualmente belo nesta língua tão diferente da nossa.

16
Abr19

Bichos e leitores

Maria do Rosário Pedreira

Quem me conhece sabe que eu não sou muito apegada a animais, mas, pronto, uma causa justa é uma causa justa. A Animais da Rua, uma associação que cuida de animais que andam por aí perdidos e abandonados nas nossas ruas, junta-se à literatura portuguesa e, por sugestão de Richard Zimler, organiza entre os dias 20 e 30 deste mês (celebrando o Dia Mundial do Livro), um leilão literário. Cerca de 70 autores (eu incluída) ofereceram aproximadamente cem livros autografados, destacando-se do conjunto uma preciosidade, Cristãos de Vanguarda, obra fora de mercado de valter hugo mãe e João Gesta, com duas ilustrações  do primeiro dos autores citados. Esta obra será objectivo de um leilão separado nos dias 21 e 22 e, a partir de dia 23, poderá então habilitar-se a obras de Alice Vieira, Afonso Cruz, Filipa Leal, Joel Neto, Rui Lage, João de Melo, Hugo Mezena, Joana Bértholo, e muitos, muitos outros. Todos os livros trazem marcador da ilustradora Inês Veloso, por sua vez oferecido por uma empresa chamada Carregal. Se está interessado em participar, consulte os procedimentos aqui:

https://www.facebook.com/animaisderua/

 

15
Abr19

O regresso às raízes

Maria do Rosário Pedreira

Hoje venho falar-vos de um projecto que tem que ver com o ambiente e cuja divulgação me foi proposta por uma ONG dedicada à conservação da natureza. Aceitei sobretudo por ter uma ligação com a escrita. Pois bem, trata-se do #MedStoryPrize, o primeiro concurso internacional de contos dedicados à cultura do Mediterrâneo que apoia uma campanha que dá pelo nome de Rooted Everyday (ou, por cá, o Retorno às Raízes) para consciencializar o público da herança mediterrânica, pondo-a a salvo da ameaça de extinção de animais de plantas. As estórias devem ser sobre fauna, flora, temas e pessoas que valorizem a riqueza desta região. A participação é gratuita e destina-se a crianças a partir dos 7 anos (divididas em dois grupos: dos 7 aos 13 e dos 14 aos 18) e adultos naturais ou residentes em Portugal, Espanha, Marrocos, Grécia ou Líbano. Os vencedores e finalistas terão as suas estórias publicadas num e-book internacional. Para saber tudo sobre o concurso, visitem o site https://www.rootedeveryday.org/enter-pt/#s_2  ou enviem e-mail para rrodrigues@natureza-portugal.org. E pronto, lá fiz um post sem ter muito trabalho, mas com esperança de que dêem à pena e concorram. Para ajudar o nosso lindo Mediterrâneo, que infelizmente se está a tornar mais famoso pelas coisas tristes do que pelas imensas belezas naturais que possui.

12
Abr19

Crónica e efemérides

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica e tem que ver com a nossa amada língua. Aqui vai o link:

 

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/30-mar-2019/interior/lingua-madrasta-10734386.html

 

Este é um ano literariamente especial: não só é o centenário do nascimento de dois poetas portugueses espectaculares (Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, que de resto foram amigos e correspondentes), mas também o 50º aniversário de Mário Cláudio como escritor e o 40º aniversário da vida literária de Lobo Antunes (são de 1979 os romances Memória de Elefante e Os Cus de Judas), Alice Vieira e António Mota. E, internacionalmente, vamos ter uma raridade: dois Prémios Nobel da Literatura no mesmo ano! Não há ano como este.

 

11
Abr19

Caçada

Maria do Rosário Pedreira

Hoje homenageio o nosso caçador de serviço, António Luiz Pacheco, com este post dedicado a um livro que, segundo leio no Público, e de acordo com as declarações do director-geral das Belas Artes espanholas, é uma obra fundamental para o estudo da arte de... caçar! Pois, intitula-se Livro da Montaria e foi redigido no século XV, em pleno reinado de D. João I de Portugal, estando há muitos anos guardado na Galiza, no Arquivo Provincial de Lugo. Acontece, porém, que um qualquer aficionado da caça (ou seria alguém apenas mal formado?) não resistiu e roubou (caçou) em 1995 uma folha deste volume emblemático da literatura medieval portuguesa, fragmento manuscrito que, ao desaparecer, deixou a obra incompleta. Mas a Polícia de Espanha conseguiu recuperar a dita folha no ano de 2014 (custou, mas foi), e o Ministério da Cultura do país vizinho responsabilizou-se pelo seu restauro e digitalização, tendo-a devolvido agora ao livro e à Galiza, onde pode ser de novo consultada, quiçá pelo nosso caçador Extraordinário. Tudo está bem quando acaba bem.

10
Abr19

Literatura infantil

Maria do Rosário Pedreira

No dia 2 de Abril, alguém me chamou a atenção para o facto de não ter referido aqui no blogue que se tratava do Dia Mundial do Livro Infantil… E tinha razão: temos de celebrar esse dia, até porque é de pequenino que se torce o pepino e, se queremos ter leitores no futuro, temos de apostar neste segumento. Ora, um pouco mais tarde do que seria desejável, venho então propor a consulta a todos os que se importam com o que dão a ler às crianças de um artigo publicado na Time Out sobre oito livros recentemente publicados que todas as crianças devem ter em casa (e, obviamente, ler) por conjugarem de forma muito apelativa texto e ilustração e, além disso, servirem aos leitores para crescerem e aprenderem. O link vai abaixo, mas queria, desde já, destacar Metade, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, da Planeta Tangerina, por ser uma obra belíssima sobre como as caras-metades se encontram (e o amor é sempre um grande tema!) e, puxando a brasa à minha sardinha, Não te Afastes, de David Machado, que é um livro que também os adultos adoram ler sobre a perda, a culpa, o luto e uma amizade inesperada. Espero que gostem, do artigo e dos livros!

 

https://www.timeout.pt/lisboa/pt/miudos/livros-infantis-fresquinhos

 

09
Abr19

Obrigado a ler

Maria do Rosário Pedreira

A cultura francesa sempre foi um exemplo para muitos países, e várias gerações de portugueses foram, durante a ditadura, formadas pelo ensaio e a ficção vindos de França, quer de autores francófonos, quer em tradução. Mas também por lá os índices de leitura têm vindo a baixar com o visionamento apelativo das séries em streaming e o recurso constante ao smartphone. Leio, porém, no L’Humanité uma notícia sobre uma medida tomada por uma escola de Paris, com o apoio da associação Silence, on lit!, que parece boa para combater o problema. Depois do toque do fim do recreio da hora de almoço, exactamente às 13h25, estejam em que lugar estiverem dentro da escola, todos têm de pegar num livro e ler durante um quarto de hora (e atenção: até podem já estar sentados na sala de aula!). E não são apenas os alunos que têm esta obrigação, mas todo o pessoal da escola, incluindo auxiliares e professores. A escolha do livro é à vontade do freguês: aconselha-se o aluno a continuar o livro que já começou, mas não há restrições a temas, géneros ou autores, e isso torna o momento especial, porque é leitura obrigatória sem livro obrigatório. Os miúdos contam que antes não liam muito mas que, depois de aquele momento se tornar um ritual, começaram a gostar, sobretudo porque os relaxava a seguir à refeição e criava motivos de conversa com os colegas e posteriores trocas de livros. Muitos deles passaram então a comprar mais livros e ir à biblioteca com mais regularidade. Não seria de aplicar isto por cá?

08
Abr19

Ricardo Reis

Maria do Rosário Pedreira

O Ano da Morte de Ricardo Reis é o romance de Saramago de que, regra geral, os intelectuais mais gostam e aquele que ombreia com Memorial do Convento nas escolhas dos alunos do Secundário. Passados que estão 35 anos da sua publicação, vai tornar-se filme pela mão de João Botelho, experiente nestas coisas de adaptar literatura portuguesa (já o fez com Os Maias, de Eça de Queirós, e Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, heterónimo de Pessoa). A rodagem iniciou-se no mês passado e o elenco vai contar com o actor brasileiro Chico Díaz no papel de Ricardo Reis, e ainda com Luís Lima Barreto como Fernando Pessoa, Catarina Wallenstein como Lídia e Victoria Guerra como Marcenda, entre outros. Prevê-se que o filme fique pronto ainda este ano. Na revista Blimunda, da Fundação José Saramago, diz-se que nessa altura poderemos ver como Botelho leu este romance que «tem como personagens um ano, uma cidade, um poeta, um fantasma, uma criada de hotel, uma jovem com um braço morto, um marinheiro comunista…». Pois, não vai ser fácil, mas vamos esperar o melhor. Só espero que os meninos do Secundário não vão ver o filme a pensar em escapar ao romance…

 

04
Abr19

Crónica antes da hora

Maria do Rosário Pedreira

À hora a que os Extraordinários lêem este meu post, estarei, se tudo correu bem, em Badajoz, lendo e conversando sobre poesia com alunos do Secundário e, mais tarde, numa sala maior, com o público em geral. A iniciativa já contemplou outros poetas portugueses (como Ana Luísa Amaral ou Nuno Júdice, mas também o escritor de canções Sérgio Godinho) e, claro, muitos poetas espanhóis. Chama-se «Aula de Poesia Díez Canedo» e celebra, evidentemente, Díez Canedo, poeta pós-modernista nascido em Badajoz, que viria a morrer na Cidade do México em 1944. Ora, deixo-vos então a crónica um dia mais cedo, porque amanhã não há post, agora só na segunda.

 

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-mar-2019/interior/patria-a-mais-10707874.html