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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

24
Jan20

Crónica e Reino Unido

Maria do Rosário Pedreira

Esta era a crónica de Ano Novo:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-jan-2020/marchar-para-a-estupidez-11666705.html

Recebo há anos a programação das actividades portuguesas apoiadas pelo serviço cultural da nossa embaixada em Londres. Há sempre muita música; desta vez até espanta a quantidade de artistas de grande gabarito, como Salvador Sobral (que vai estar no Barbican), António Zambujo ou Ana Moura, entre outros. Há também teatro e exposições de vez em quando. Mas a literatura é, infelizmente, o parente pobre. Desta feita, o anúncio inclui uma sessão de leitura da obra do poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto. A língua é comum, mas não há tanto poeta português que também merecia destaque....?

23
Jan20

Cinco L

Maria do Rosário Pedreira

Lisboa vai ter o seu festival literário. Cá para nós, com tanto festival pelo País fora, poderia parecer estranho a capital estar de fora... Bem, a primeira edição do Cinco L (assim se chamará o encontro) será inaugurada no dia 5 de Maio, escolhido pela UNESCO como Dia Mundial da Língua Portuguesa (suponho que, além de l de literatura, outro dos cinco l seja de língua). Diz-nos a revista Time Out que a festa incluirá várias expressões artísticas e que a programação, ainda em segredo, estará a cargo de José Pinho, responsável também pelo FOLIO de Óbidos e a bela Livraria Ler Devagar, bem como sócio-gerente da Livraria Férin no Chiado, além de conhecedor de certames no estrangeiro, onde assegurou a livraria do stand de Portugal nas feiras de Sevilha, Madrid e Guadalajara, no México. A proposta de um festival internacional de escritores em Lisboa partiu do PCP. Promovido pela Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, «vai distribuir-se por diferentes espaços da cidade, desde bibliotecas e teatros municipais a cinemas, livrarias e cafés.» Vamos esperar para saber.

 

22
Jan20

Os Lusíadas no século XXI

Maria do Rosário Pedreira

A Livraria Lello anda cheia de ideias. Desta feita, pretende homenagear a obra maior da língua portuguesa, o poema de Camões que narra a viagem de Vasco da Gama, através de uma proposta original, que é a de, pedindo a gente de todas as áreas e quadrantes,  conhecida e menos conhecida, que manuscreva uma estrofe da epopeia, compor uma versão totalmente manuscrita d'Os Lusíadas. Encarregou para isso um dos mais novos escritores portugueses, recentemente premiado com o Prémio Literário José Saramago, Afonso Reis Cabral, para percorrer todos os lugares por onde andou o desinquieto poeta (a Índia, Moçambique, o Vietname...) e escolher quem vai transcrever, uma a uma, as estâncias da nossa epopeia (para alguns, sobretudo os mais novos, vai ser preciso prestar muita atenção para não se enganarem, pois com a linguagem reduzida que utilizam no quotidiano não vai ser nada fácil assimilar o texto de Camões). Este Novo Canto para os Lusíadas, como se chama o projecto, terá o acompanhamento da revista Visão e foi anunciado nos 114 anos da Lello, em 13 de Janeiro último. Afonso Reis Cabral fará o diário da sua viagem.

21
Jan20

Livros da década

Maria do Rosário Pedreira

Estamos no início de uma nova década (ou será só para o ano?) e a Wook pediu a um pequeno grupo de editores portugueses, incluindo-me generosamente entre os escolhidos, que destacassem três livros publicados em Portugal desde 2000. Foi muitíssimo difícil seleccioná-los, porque todos os dias saem livros e só poder referir três é uma tremenda limitação. Também temos sempre mais presentes os livros que saíram há menos tempo e, por isso, tive de investigar para ver o que foi publicado nos primeiros anos do século. Por fim, aconselharam-me a incluir um livro publicado por mim, e preferi apresentar o romance de uma autora estrangeira que foi pela primeira vez publicada em Portugal porque os portugueses são muitos e cada um no seu género e não se torna nada fácil eleger só um. Os meus colegas da Relógio-d'Água, da Alfaguara e da Porto Editora devem ter enfrentado os mesmos problemas. O link está aí para verem com os vossos próprios olhos. Pensem também que livro destacariam desta primeira década do século XXI como algo realmente especial.

https://www.wook.pt/wookacontece/novidades/noticia/ver/os-livros-da-decada-2010-2019/?id=158966&langid=1

20
Jan20

Abrir a boca

Maria do Rosário Pedreira

Para contestar é preciso, claro, estar informado. E não só: é preciso, em algumas situações e países, vencer o medo e o preconceito. As feministas de hoje devem muito a uma série de mulheres pioneiras neste acto de coragem que foi dizer o que pensavam, bater o pé, reclamar. Saiu na última sexta-feira um ensaio interessante sobre algumas delas que, ainda por cima, fizeram da palavra uma arte. Chama-se De Língua Afiada, assina-o Michelle Dean, e reúne um improvável e arrojado grupo de pensadoras modernas que moldaram a história intelectual do século xx: Susan Sontag, Dorothy Parker, Hannah Arendt, Rebecca West, Joan Didion, Mary McCarthy, Pauline Kael, Renata Adler, Janet Malcom e Nora Ephron ousaram levantar a voz (mesmo que por escrito) num tempo em que intervir era privilégio dos homens, desbravando um caminho a que todas as mulheres de hoje devem muitíssimo. A tradução é de Helder Moura Pereira e foi publicado pela Quetzal.

17
Jan20

Crónica e ensino

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica, e aqui vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/28-dez-2019/uma-banana-para-cambridge-11639060.html

Uma reflexão para o fim-de-semana... Li num jornal que uma grande percentagem de professores no activo se reformará nos próximos anos. Ora, estando os cursos vocacionados para o ensino às moscas ou tendo até, em alguns casos, desaparecido das universidades por falta de alunos interessados, como se fará face a esse vazio? Não terá sido prematuro dizer que havia professores a mais?

16
Jan20

Palavras mágicas

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui disse váras vezes que existem algumas palavras que, num título, são meio caminho andado para o sucesso do livro. A palavra «F*», como regra geral aparece, é uma delas, mas em Portugal «Salazar» também é quase garantia de êxito de vendas (Freud explicaria). Nos últimos anos, tudo o que inclua «Auschwitz» no título também costuma fazer as vendas disparar, e até se multiplicaram os romances traduzidos sobre o período da Segunda Guerra Mundial que, há trinta anos, quando eu comecei na edição, eram um fiasco (até se dizia que era por não termos entrado na guerra). Bem, mas esta questão de Auschwitz não é só portuguesa, e houve até um escritor que se queixou da profusão de livros com a palavra no título, até porque escreveu sobre os campos sem ter de a usar. Trata-se do autor de O Rapaz do Pijama às Riscas, o irlandês John Boyne, que, talvez por achar a concorrência desleal, desabafou sobre o facto no Twitter para receber, consternado, uma resposta do Museu de Auschwitz dizendo que o seu romance estava cheio de imprecisões e que, por isso, o iriam tirar da loja do museu. Ui, estes polacos não são para brincadeiras. E agora, senhor Boyne, que palavra mágica para lhes responder?

15
Jan20

Presentes bonitos

Maria do Rosário Pedreira

Na voragem das festas, nem sequer temos tempo de respirar fundo. E, bem vistas as coisas, agradeci um presente especial com um cartão banal e aproveito ter um blogue público para corrigir a situação. Fiz, como já aqui devo ter contado, a letra de um fado para a Livraria Lello no ano passado (cantado por Patrícia Costa) e umas quantas sessões dedicadas a autores de livros que publico, mais recentemente relacionadas com os 50 anos de vida literária de Mário Cláudio. Mas não sou visita assídua nem tenho lá amigos propriamente chegados. Foi, por isso, muito bonito que me tivessem enviado da Lello um livrinho de poesia espanhola tão bem escolhido (Caídas, de Teresa Soto) e a ele tivessem acrescentado um cartãozinho que dizia (resumo) que aquele pequeno exemplar fora resgatado de uma livraria em fim de vida na cidade de Palma de Maiorca (a Librería-Peluquería Los Oficios Terrestres); e que, como cada livro merecia um lar, não tinha conseguido virar costas e era agora para o meu que o mandavam de boa vontade. Com as pressas, fiz o que faço sempre que recebo livros de presente (e o que faz o nosso Presidente, que também nunca se esquece de agradecer um livro que lhe enviemos), mas claramente não bastava: contar esta história delicada é o mínimo que posso agora fazer.

14
Jan20

Escolhas

Maria do Rosário Pedreira

Não sei se sabem, mas a FLIP, celebérrima festa literária brasileira anual, não tem sempre o mesmo curador (no passado, estiveram nesse lugar pessoas como Paulo Werneck, que é um dos actuais jurados do Prémio LeYa, e Josélia Aguiar, autora da biografia de Jorge Amado). Ora, a curadora deste ano, Fernanda Diamant, ao anunciar o autor homenageado (a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop, que viveu muitos anos no Brasil), não sabia que estava a largar uma autêntica bomba. É que  Bishop não só não é uma autora nacional, como têm sido, creio, todos os escolhidos pelos curadores anteriores (e, segundo alguns intelectuais brasileiros, o Brasil está a precisar como nunca de se afirmar culturalmente por causa do governo ignorante e anti-cultura que tem), mas também é uma mulher que escreveu coisas muito desagradáveis sobre o país-irmão do "alto do seu horror às massas", como diz Alexandra Lucas Coelho num artigo do Público, e além disso aplaudiu o golpe militar de 1964. Todos pedem, claro, que não se deixe de ler a poesia de Bishop, que encontrou no Brasil a paixão da sua vida (a arquitecta Lota de Macedo Soares) e viveu ali uma relação certamente difícil nos anos 1950; mas ficam sentidos por, com tanta literatura brasileira no cânone, Diamant ter ido buscar um nome tão polémico. Mesmo entendendo que pensou mais no lado lésbico e feminista de Bishop, que é sempre um tema muito caro no Brasil, podia ter pensado duas vezes.

13
Jan20

Rebobinar

Maria do Rosário Pedreira

Ora então cá estamos nesta segunda-feira, eu já refeita ou a caminhar para isso, o blogue a voltar à sua vida normal, o trabalho todo embrulhado na minha mesa. Rebobinemos então para falar de um grande senhor, já tanta vez indicado ao Nobel, chamado Milan Kundera, sobre cujos livros já aqui tenho escrito várias vezes. Na oposição quando a Checoslováquia era dominada pela ditadura comunista, Kundera exilou-se, como sabem, em Paris e mais tarde começou até a escrever os seus livros directamente em francês. Perdeu a nacionalidade checa e os seus romances foram proibidos na pátria (A Insustentável Leveza do Ser só veria a luz checa em 2006!) mas, apesar de ter reatado laços com o país natal (hoje República Checa) na sequência da queda do regime pró-soviético (até já escrevi uma crónica sobre este assunto que aqui partilhei), só agora, 40 anos depois, lhe é devolvida a nacionidade e apresentados pedidos de desculpa pelo embaixador em Paris em nome do Governo (e pessoalmente, indo ao seu apartamento, o que tem outro peso). Corrijam-se outras injustiças como esta e teremos um mundo mais feliz.

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