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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Jan12

De viva voz

Maria do Rosário Pedreira

Por razões que não são para aqui chamadas, ando a ler muita coisa sobre Amália e o fado. Não sou uma leitora voraz de biografias, confesso – estou sempre mais inclinada para a leitura de ficção e tenho um defeito estrutural que se chama falta de curiosidade, sobretudo no que toca a vidas de pessoas reais. E, porém, gosto muito de ouvir uma pessoa a falar de si própria e de descortinar quanto de ficção e de verdade existe na construção do seu discurso. Talvez por isso não tenha conseguido saltar páginas no livro de Vítor Pavão dos Santos, Amália – Uma Biografia, que reproduz na primeira pessoa um relato da vida da fadista a partir de vinte e cinco conversas com o autor que, deliberadamente, excluiu do texto todas as suas perguntas e intervenções. Temos, assim, Amália a falar de si desde que nasceu como se fôssemos visitas privilegiadas de sua casa ou um psicoterapeuta atento aos dramas e traumas da sua existência num consultório da capital. E, ao lê-la deste modo – como se de ouvido colado às suas palavras –, podemos entender melhor a rapariga que foi e a mulher que se tornou, com todas as suas fragilidades, complexos e até vaidades, que, já se sabe, não há grande estrela que as não tenha. Eu, que admirava a grande senhora sem simpatizar com ela, senti-me por vezes psicanalista a detectar sinais que justificam alguns seus comportamentos e acabei por render-me ao lugar-comum de que a infância determina realmente muito do que somos e, no caso de Amália, isso é gritante. Com o fado a festejar a sua «entrada» no Património Imaterial da Humanidade, uma sugestão de leitura a ter em conta.

3 comentários

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    António Luiz Pacheco 05.01.2012

    Minha cara Cristina... quem não foi infeliz e até miserável ou incompreendido nalguma fase da sua infância ou adolescência? Só que de um modo geral, depois crescemos e nos fizémos adultos, acho eu... aprendendo a distinguir entre o que foi infelicidade ou mera cachopice própria da idade e que nem era assim tão grave. Alguns nunca crescem, é verdade e então há desajustes psico-sociais !
    Evidentemente que houve e há infâncias que são verdadeiramente infelizes e traumatizantes, até porque nem todos somos iguais e reagimos do mesmo modo, mas convenhamos que há muito exagero!
    Olhe sabe o que costumo dizer? Que o que vale a pena em ser criança é ter sonhos e o que vale a pena em ser adulto é realizá-los!
    (Esta é da minha autoria! Podem passar a citar-me, eheheh!)
    E é que já realizei uma boa parte deles! O que se calhar me trás felicidade, e também porque ainda os há por realizar, ou seja ainda faz sentido viver! Mas se dantes só temia que não houvessem terra e mar que chegassem, já começo a sentir uma outra angústia... agora tenho receio que não me chegue o tempo!

    Saudações felizes!!! Eheheh!
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    Cristina Torrão 06.01.2012

    Sim, claro que há muito exagero. Mas não se devem subestimar certas atitudes e métodos dos pais, com a crença de que, quando forem adultas, as crianças superam tudo e vivem a sua vida. Alguns não conseguem, como o António Luiz diz, "alguns nunca crescem". Fica por apurar se o defeito será sempre deles...
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