A Terra treme
Quando era miúda, houve um grande terramoto em Lisboa e a minha mãe e a minha avó acordaram-nos a meio da noite, nem sei bem se para nos levarem escada abaixo para a rua, seis andares a correr, se para morrermos ali todos juntos (todos, não, porque o meu pai, por acaso, estava a ouvir fados na Parreirinha de Alfama, que então ficava aberta até altas horas). Caíram dos nichos as santas e abriram-se rachas nas paredes, mas, graças a Deus, não nos aconteceu mal nenhum (nem ao meu pai, que ainda trazia caliça no casaco quando chegou a casa). Mas houve um terramoto bem maior do que este, todos sabem, em 1755, e é dele que fala A Voz da Terra, de Miguel Real, que acaba de conhecer a sua quarta edição (primeira na Dom Quixote) e estará disponível dentro de dias com uma nova e bonita capa. A reedição reveste-se de importância não só por se tratar de um livro bom e premiado que se encontrava esgotado, mas porque algumas das personagens que por lá deambulam pertencem também a A Guerra dos Mascates, que saiu em Setembro último, embora aqui estejam mais novas. E, porque não é bonito privar os leitores da sua história completa de vida, ou quase completa, aqui está o livro no qual se pode saber o que aconteceu a Julinho e Violante. O livro foi finalista do Prémio de Romance e Novela da APE e ganhou o Prémio Fernando Namora no ano em que saiu a primeira edição.


