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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Jan12

Ventos do Brasil

Maria do Rosário Pedreira

Sou conhecida por alguns como a editora que, até hoje, mais Prémios Saramago arrecadou para os seus autores. Não é auto-elogio, porque em Portugal não são assim muitos os editores que se dedicam a procurar, como agulha em palheiro, a voz que faça a diferença; e, como eu adoro fazê-lo, é também natural que some mais autores novos do que conhecidos e consagrados. De qualquer maneira, na mais recente edição do prémio, não pude concorrer por não ter editado nos dois anos anteriores nenhum autor com menos de 35 anos. Fui, de qualquer modo, saber em directo quem era o premiado, não fosse algum colega ter começado a passar-me a perna. E fiquei a conhecer Andréa del Fuego, brasileira, autora de Os Malaquias, romance que mereceu o galardão e é inspirado num episódio que ocorreu na família da autora, como ela fez questão de avançar ao receber o prémio. O Círculo de Leitores lança-o para o mercado em Janeiro, mas logo depois ficará disponível em livraria com a chancela da Porto Editora. Ofereceram-me carinhosamente um exemplar antes de estar à venda e vou a meio. Lindíssimo, a lembrar um pouco um Jorge Amado dos nossos tempos. Quando acabar, decerto farei um post mais detalhado a propósito. Mas, para já, fiquem atentos.

3 comentários

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    Joaquim Jordão 19.01.2012

    Jovem João

    Começa por dizer que “estamos a tratar a escrita como se de vinho do Douro se tratasse” (julgo que queria dizer vinho do Porto).
    Pois estamos. Se bem conservado, quanto mais velho, melhor. E não é assim que deve ser?
    Com a autoridade que me dão as minhas barbas brancas, deixe-me que lhe diga: – Envelhecer bem tem que se lhe diga.

    Mas afinal, o jovem João conclui dizendo que “envelhecer pode ser muito triste e prejudicar muito a escrita”
    Pois… Também lá no Douro, às vezes, o processo não corre de feição, que aquilo é como uma pessoa, depende de muitos factores, tem que se lhe diga.

    E então, João, em que ficamos? Devemos evitar o envelhecimento? Receá-lo? Repudiá-lo?

    Se bem reparar, a nossa civilização europeia está a entrar num ciclo demográfico em que as pessoas idosas vão ser a grande maioria.
    Palpita-me que, por isso, começa a estar instalada na nossa cultura uma qualquer intuição, para não dizer preconceito… que me parece estar subjacente a afirmações suas, como:” São conhecidas, ou pelo menos defendidas por doutos indivíduos, características diferenciadores do escritor jovem e do não tão jovem”, ou esta: “Não podemos falar de uma evolução no sentido de crescimento” (…) “Não digo que seja sempre assim, só me parece que existe essa tendência”. Ponto final.

    Em resumo: “O escritor, à medida que progride em idade, não progride necessariamente em qualidade literária”. Parágrafo.

    Está a ver o preconceitozinho por aí disfarçado, implícito, nas entrelinhas?
    Se calhar, é por isso que na indústria editorial, e em muitas outras actividades, ainda que não explicitamente, tendem a estabelecer o tal limite de idade.

    Espero que não tome a mal o que lhe digo. Por mim, ficamos amigos à mesma.
    E, ainda por mim, esteja descansado: farei os possíveis por não morrer no banco da estação dos comboios.

    Um abraço.
    Joaquim Jordão, Amarante

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    João Courinha 19.01.2012

    First things first, não, não queria dizer vinho do Porto, queria dizer vinhos do Douro, que são mais estruturados e melhor preparados para envelhecer. Parágrafo. Ponto número dois, é claro que está nas mãos de cada um controlar a forma como envelhece, limitei-me a expor ideias que conheço e com as quais concordo em parte. Quanto a preconceito, noventa por cento dos livros que li foram escritos por gente que já está morta, mais velho do que isso era impossível! Levar-lhe a mal claro que não lhe levo, sou muito errático e por vezes excessivamente agressivo, seria hipócrita ficar ofendido fosse pelo que fosse.
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