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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Jan12

Tarde demais ou em modo minúsculo

Maria do Rosário Pedreira

Ouvi recentemente numa reunião com o director comercial da LeYa que um livro tem uma esperança de vida média de sete semanas. Sete semanas durante as quais, com ou sem ajuda, terá de se vender e sair da livraria, pois, de contrário, sairá também, mas devolvido e para os armazéns da editora – e é quase garantido que não voltará a pôr lá os pés (na livraria, entenda-se). Tratando-se de um livro de um estreante, português ou estrangeiro, é preciso, pois, torná-lo minimamente conhecido ou «badalado» antes da saída, ou tentar que as críticas cheguem em cima da publicação para que alguma atenção recaia sobre ele durante essas míseras sete semanas. O problema é que há muito pouco espaço para falar de livros na nossa comunicação social – menos ainda para livros de desconhecidos, sobretudo se a saída destes coincide com a de outros títulos mais sonantes com direito natural a uma ou mais páginas. Então, não é raro que os mais necessitados se vejam confinados a uma colunazita de nada que, por bem intencionada que seja, não ajuda muito; ou, o que é pior, a um espaço efectivamente mais amplo mas, sim, sete semanas depois do que era preciso... Ou mais. Já vi críticas que saíram um ano depois da publicação dos livros a que diziam respeito. Não serviram a quem as escreveu nem a quem publicou o livro. Talvez sejam iguais ao silêncio, enfim.

4 comentários

  • Pois é, eu também escrevia «de mais» por oposição a «de menos», mas um dia houve um velho revisor que me disse que não tinha razão, pois, quando significa «demasiado», deve ser só numa palavra. E explicou-me que não se pode dizer «tarde de menos», pelo que não se tratava de oposição... Já tenho tentado tirar a dúvida, mas nunca encontrei um esclarecimento realmente conclusivo. Se o encontrar, diga-me.
  • Sem imagem de perfil

    Maria Almira Soares 30.01.2012

    Demais
    Demais, advérbio de modo, também chamado de intensidade, usa-se quando com ele queremos significar ‘excessivamente, muitíssimo’, como, por exemplo, nas frases: Não comas demais, que te faz mal. Ele foi lento demais. Demais significa ainda ‘além disso’ e ‘os outros, os restantes’, em frases como as que se seguem: Ele não comeu nada durante a tarde; demais, o que ele pretende é guardar todo o seu apetite para o jantar. Nesta equipa há apenas um jogador alto; os demais são de estatura média. Não deve confundir-se este advérbio com a locução adverbial de quantidade de mais, constituída por duas palavras, que equivale a a mais e é antónima de de menos, equivalente, por sua vez, a a menos. O advérbio demais exprime o modo intenso de uma ação ou de uma afirmação; é, pois, um advérbio de modo modificador da intensidade do sentido de um predicado (verbo ou verbo copulativo + nome). Não bebas demais. Dormiu demais. Ele é competente demais. Demais é advérbio e significa intensidade. De mais é locução e significa quantidade.
    Vd. De mais

    [Entrada do Dicionário de dúvidas, dificuldades e subtilezas da língua portuguesa (Dom Quixote) de que sou coautora.]
  • Imagem de perfil

    Ana Vidal 30.01.2012

    Também agradeço o esclarecimento, cara Maria Almira, porque esta é uma das minhas dúvidas persistentes. Sempre escrevi "de mais" por oposição a "de menos", sempre separado a não ser quando significa "os outros". Pelo que leio aqui, estava errada. Outra dúvida que tenho é "se não" e "senão". Talvez esteja também errada, mas escrevo sempre separado a não ser no sentido de "particularidade": "Não há bela sem senão", por exemplo. Mas a verdade é que tenho visto escrito tantas vezes assim noutros contextos, e por pessoas que respeito na matéria, que já não sei. Uma ajuda? Obrigada.
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