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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Mar12

Máscaras

Maria do Rosário Pedreira

Porque o contrato colectivo de trabalho que rege a minha actividade assim o estabelecia, pude fruir livremente a terça-feira de Carnaval e devo dizer que ela começou muito bem. Com o sol a morder as esquinas como em plena Primavera, fui com o Manel de manhã à Fundação Calouste Gulbenkian visitar a exposição sobre Fernando Pessoa, originária do Brasil, onde se inaugurou – creio – no Museu da Língua Portuguesa de S. Paulo. Belíssima na sua concepção, com truques que fazem voar as sílabas dos versos e nos trazem sempre um novo texto, esta é uma mostra que exige tempo, porque Pessoa são muitas pessoas – o que, em tempo de máscaras, veio mesmo a calhar. Longe da curiosidade sobre os objectos pessoais que tantas vezes mina este tipo de exposição (e apesar da famosa arca), aqui as palavras tomam a dianteira e é nelas que os olhos devem pousar longamente, lendo, aprendendo, desfrutando, somando o novo a tudo aquilo que já sabíamos do grande poeta. Num dos painéis à meia-luz, fui assombrada por uma frase com grande actualidade, na qual o Pessoa ortónimo diz que, com tanta falta de literatura, como não haveria ele de, com o seu génio, inventar todos aqueles heterónimos? Noutro painel mais adiante, confessa-nos que não conseguiria ter um amigo íntimo, tímido como era. As suas máscaras foram, talvez, o que mais se aproximou disso. Em suma, não perca.

2 comentários

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    António Luiz Pacheco 05.03.2012

    Mais do que ao post , dei particular atenção às palavras da nossa Extra-Blonde c/P:

    "Ódio pelo que me forçaram a aprender Português decorando versos que não entendia. Amor porque depois entendi." (Sic)

    Precisamente! No meu percurso escolar tive de ler ou decorar poesia. Creio que esta nunca me foi apresentada de uma forma que me levasse a entendê-la e a gostar!
    Só no antigo 5º ano tive um professor que me despertou para os Lusíadas. Infelizmente nunca mais nenhum professor o fez, explicando os conteúdos, a mensagem, como ler e interpretar poesia.
    Talvez por isso seja para mim um género a que dou pouca atenção e leio pouco, foi aos poucos com a maturidade percebendo que a minha descoberta de todos os dias é a espantosa realidade das coisas, e o quanto isso me espanta e me basta, mas só ao fim de 40 anos... ou seja, tarde!
    Explicar a poesia, fazer a sua ligação ao dia-a-dia e à realidade, à filosofia, à vida, às pessoas, como uma forma de expor tanto idéias como sentimentos, creio que foi o que me faltou a mim!

    É ainda um post extraordinário porque nos trás algo e põe a pensar afinal. Irei ver a exposição se ainda for a tempo...

    Saudações do campo!
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