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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

14
Mar12

«Papel pintado»

Maria do Rosário Pedreira

Num dos últimos fins-de-semana, José Pacheco Pereira escreveu no Público uma crónica muito interessante e lúcida que tinha como ponto de partida o fecho da Livraria Portugal na Baixa lisboeta. Embora frequente igualmente a FNAC, era um seu cliente regular e adquiria ali revistas especializadas e obras de temáticas várias – portuguesas e estrangeiras – que não irá encontrar em mais parte nenhuma (ou que, em suma, terá a partir de agora de comprar directamente a instituições, universidades e livrarias virtuais, mas sem poder, naturalmente, folheá-las primeiro). Já aqui escrevi sobre os problemas graves do encerramento de livrarias – e falei no caso da Portugal, que se liga às primeiras memórias que tenho da minha vida editorial –, mas o que aqui me traz hoje é uma expressão que Pacheco Pereira usou nessa sua crónica; referia-se ele aos livros-produtos que hoje inundam as nossas livrarias como «papel pintado». E, se virmos bem, está coberto de razão. Porque, num mundo em que os mercados passaram a dominar, a embalagem tornou-se determinante para a venda e, quando hoje entramos numa livraria, o texto parece o menos notório, destacando-se, em vez dele, o colorido exagerado das capas que, às tantas, até para um leitor experimentado se tornaram um empecilho que confunde o trigo com o joio. Papel pintado, em suma.

4 comentários

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    ana b. 14.03.2012

    Caríssimo:

    Só parcialmente concordo consigo. Por esse andar tinhamos os Philip Roth, os David Lodge, os Phillipe Claudel, os Sandor Marai, as Dulce Maria Cardoso, os Valter Hugo Mãe, os Hector Abad Faciolince, os Saramagos... todos andrajosos e a pimbalhada toda engalanada. Era o que mais faltava! Quero os meus escritores preferidos vestidos à maneira!:)
    Claro que os amo de qualquer jeito, mas gosto de os ver bonitos!
    É que, assim de repente, parece que as capas bonitas são defeito. Pelo contrário! Quanto melhor o conteúdo melhor deveria ser o embrulho! Assim, mais parece que se premeiam os maus.
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    António Luiz Pacheco 14.03.2012

    Não me expliquei bem...
    O momento é de contenção, as pessoas contam o dinheiro e compram menos... saiu um interessante estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Daí eu dizer que:

    1º - Trabalhar melhor os canais existentes
    2º - Trabalhar a diferenciação...

    E para isso, eu separo quem compra livros por impulso, de quem compra livros de forma consciente. O comprador-conhecedor que é o que vai ficar... o outro nem por isso.
    E é com este comprador, o fiel, que se tem de contar na presente conjuntura.
    Você compra porque a Oprah aconselha? Ou porque no Expresso (onde se voltou a despedir um colaborador por diferença de opinião) dizem que é bom?
    Este compra o que quer e sabe! Mas pode ser mais trabalhado o canal da divulgação, onde lhe dizem o que vai ser lançado ou reeditado. Ele compra conteúdos, compreende? E para ele, se o preço de capa baixar, é o que precisa para continuar ou para comprar mais... creio que é o que estratégicamente está certo.
    Se decidirem editar o próximo livro do Castelo Branco ou sobre a limpeza de pele duma famosa qualquer... pois esses que levem as tais capas todas arrebicadas...
    Acha que o novo Lobo Antunes, Ruben da Fonseca, Bernard Cornwell , ou uma reedição de Hemingway ou Maupassant precisava de uma capa apelativa, cara... não creio!
    Se bem que a compreenda e até concorde... mas entre o Equador ilustrado e o simples, eu optei pelo simples... preferi investir no Africa " da Leni Riefensthal , sacrifiquei um pelos outros dois. Percebe onde quero chegar?
    Cumprimentos
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    ana b. 14.03.2012

    A questão não é que o Rubem Fonseca ou o Lobo Antunes precisarem de capas bonitas para vender. A questão é que as merecem!
    E ainda há um ponto que me parece pouco claro: é que bonito não tem que ser, necessariamente , caro. Muito menos que venham cheias de dourado ou envoltas em tule. Essas, a meu ver, não são bonitas: são pirosas. São de um mau gosto atroz . Sejam elas caras ou baratas.
    Eu sou muito pragmática: um livro tem que ter uma capa, não tem? Então, sempre que possível, que seja bonita.
    O mesmo critério uso para as capas dos CD. Neste momento tenho o último CD do Leonard Cohen a tocar e a capa está junto de mim: agrada-me que ela seja bonita! Se se tem que gastar dinheiro numa coisa, porque não fazê-la bonita? Percebo que possa encarecer mas duvido que a diferença seja assim tão significativa. Ser bonito não tem que ser, necessariamente dispendioso.
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