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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

22
Mar12

A Vida ao vivo

Maria do Rosário Pedreira

Hoje à noite, pelas 21h00, faremos o lançamento do livro A Vida Passou por Aqui, de Luís Francisco, na Livraria Barata, em Lisboa. Trata-se do primeiro romance de um jornalista do Público, que conta uma história urbana cheia de nós, com vários narradores que nem sonham como estão ligados uns aos outros. Sem nunca perder o pé e com vozes absolutamente inconfundíveis, o autor mostra-nos através deste romance como gestos aparentemente só nossos podem, afinal, influenciar decisivamente a vida de terceiros. A apresentação estará a cargo do também jornalista e escritor (mas um pouco arredado dos livros há uns anos) Rodrigo Guedes de Carvalho. Apesar da Greve Geral, espero que consiga aparecer por lá.

 

5 comentários

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    VH 22.03.2012

    Gosto do crescendo, até terminar num espalhanço em grande estilo.
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    João Courinha 22.03.2012

    Se tiver tempo escreva um fim alternativo. Um abraço
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    Cláudia 22.03.2012

    As fianças:

    cedo sentei-me, tarde aos demais... À frente senhoras, ou melhor, duas mulheres. Ao lado, uns bons metros, a boina encimava no velho que aguardava. Aguardava o meu lugar? Ele que tantas vezes, aguardara e fora aguardado... Entreguei à mulher documentos, havendo ali a exaustão de boa parte do dia... Ela cheirou-me a alma, adivinhando até que ponto podia vilipendiar. Deixei-me do aroma enquanto esforçava por emanar o forte odor da paciência. "Menina..." balbuciou o velho e levantou a boina, deixando aparecer a auréola prateada que coroava a decência. "Menina"... Senti felizardo, é monumental o tratamento ou termo caído em desuso essa, falsa alegria sem propósito. Foi então, que a "menina" sensibilizou algum riso, inspirou e amorteceu o olhar, destratando com irreverência quem não merecia. O homem desanimou e ao baixar os olhos a primeira mulher emitiu o deboche. Tomando coragem, tentou procurar apoio no pilar de sempre, a outra mulher. Azar, desventura, desamparo, malogro... A outra de costume ao telefone, alheia, entoou outro pisoteio. Afinal o que a alegrava, não compactuaria e aqueles olhos enegrecidos, por fim dirigiram-se a mim por homem bom. A mim, homem que inimigo de humilhações, senti confiança! Olhei-a de frente, sério, estóico, paladino do velho, campeão daquele que usava a boina, quando de repente o meu corpo abandonou-me, o lábio superior tremeu, estremeceu e levantou ligeiramente para deixar espreitar, dois dentes. Sim, sentia-me um lixo por dois impossíveis dentes. A mulher sorriu-me, agradecida e eu pela estocada final. O pobre ancião atou a mala baixou os olhos, juntou os dentes e calou-se. Talvez, tenha odiado ou não, os velhos são sempre compreensivos com a dor alheia. E porque fiz tal coisa? Aliás, espero ter uma manifestação de bom fundo e reflexiva, mas, ainda assim, seguro a culpa que teria se me poupa-se o velho. Voltei para casa sem ser vilão, ao deixar o bom homem tratar-me.
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    Joao Courinha 22.03.2012

    Eu sei que vais ficar zangada comigo, mas o excesso de linguagem faz com que pareça escrito por um escrivão de tribunal e não por um homem normal que foi às finanças. Desculpa
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