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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

28
Mar12

Espectáculo, ou talvez não

Maria do Rosário Pedreira

Poucos leitores deste blogue saberão que, em tempos idos, nem interessa bem quando, escrevi duas colecções de livros juvenis para a então famosa Verbo, tendo ultrapassado os quarenta títulos publicados e vendido mais de um milhão de exemplares; nada de especial, se comparada com Enid Blyton, mas muito bom, se me lembrar de que foi assim que viajei durante muitos anos e pude meter o nariz nos cinco continentes (em alguns deles, foi mesmo só a pontinha do nariz). Depois dessa experiência (é talvez mais correcto dizer «durante»), escrevi também um romance e três livros de poesia e, embora a imprensa me tenha dado alguma atenção, nunca a televisão me convidou para falar deles (exagero: fui a um programa que Bárbara Guimarães manteve na SIC num período em que a Nação atravessava melhores dias e tive direito a uma edição inteirinha do Ler+, apresentado por Teresa Sampaio, no âmbito do Plano Nacional de Leitura). Nos últimos anos, chamaram-me umas quantas vezes para falar de edição e de livros que tinha publicado, mas, ainda assim, sempre em horários ditos pouco nobres e canais com menos audiências. Ora, desde que escrevo letras para fados, os convites para ir falar da canção portuguesa ou dos seus intérpretes, sobretudo depois da elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade, multiplicam-se; e, só numa semana, foram três os pedidos para participar em programas e documentários. Fiquei a pensar que é uma pena que a literatura não tenha esta dimensão de espectáculo para poder aproveitar este meio que é a televisão e chegar a mais gente. Não por mim, que já quase não dou à pluma fora deste blogue («pluma» é força de expressão), mas porque gostava que alguns autores tivessem mais leitores, todos os leitores que (os) merecem. O problema é que sempre que um escritor consegue um certo grau de mediatismo também há logo quem desconfie...

2 comentários

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    João Courinha 28.03.2012

    Eu cá também concordo com a ana b (beijinhos para a sua filha), mas acho que remar contra a maré só faz sentido às vezes. É um facto que para os programas prosperarem precisam de audiências e não de meia dúzia de bloggers, mas de massas. Até eu, rapaz que gosta de livros, já apanhei secas terríveis com programas em que um Zé de monóculo especulava sobre as verdadeiras intenções de determinado autor. Existe um programa de pintura chamado "the power of art" em que as obras são apresentadas de forma contextualizada com a vida do artista. Um narrador passeia pela cidade natal do autor e conta-nos a história deste enquanto mostra obras e desencadeia pequenos clips da vida do indivíduo em estudo (representados por actores). Fala da pancadaria de Caravaggio com um cavaleiro da ordem de malta, da vingança de Bernini contra o irmão que lhe sacou a mulher, de Rembrandt a cortar o seu mais emblemático quadro com uma navalha (aquele encomendado pela Câmara de Amesterdão) e de mais uma série de episódios escabrosos que mostram o artista como homem real e atenuam o aborrecimento. Se experimentassem algo deste género na literatura acho que podia ser muito benéfico, quer para a estação de televisão, quer para o público.
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