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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Jul10

Paul Auster sem espinhas

Maria do Rosário Pedreira

Essa coisa de ter um peixe inteiro no prato – com cabeça, rabo, espinhas e, por vezes, até o olho arregalado e gelatinoso –, não é para todos. Aos portugueses, habituados ao mar, às varinas e aos mercados, não faz mesmo nenhuma confusão. Mas, quando pedem a um menino de Nova Iorque para desenhar uma galinha, ele representa-a normalmente depenada e sem cabeça como a vê no supermercado – e, de peixe, também quase só conhece a posta de salmão e os filetes sem escamas e todos do mesmo tamanho que vê na prateleira dos congelados. Os peixes, tal como são enquanto vivos, raramente aparecem no prato de um norte-americano e, de uma das vezes que Paul Auster esteve em Portugal, ainda o Manel era editor dele na ASA, fomos comer peixe a um pequeno restaurante do Bairro Alto a seu pedido. O linguado tinha um ar fresquíssimo e o empregado aconselhou-lho vivamente. Mas, quando o trouxe no prato – de cabo a rabo, e não em lombos – e o pôs à frente do escritor, ele ficou estarrecido a olhar e perguntou, aflito: «Como é que isto se come?» A Paul Auster nem me custou muito tirar-lhe as espinhas…

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