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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Jun12

50 anos de poesia

Maria do Rosário Pedreira

Vasco Graça Moura escreve poesia há meio século, razão para se dizer: é obra... Apesar de saber que tem muitos livros publicados (romances também), não pensei já fosse há tanto tempo que publicava e fui surpreendida pela efeméride no caderno «Actual», do Expresso, no sábado 26 de Maio, no qual o escritor (e grande tradutor de poesia, de Dante a Rilke e Shakespeare) dava uma entrevista ao jornalista Valdemar Cruz. Às tantas, Vasco Graça Moura dizia que via sobretudo na escrita poética um «exercício técnico, uma aplicação de capacidades oficinais». A discussão sobre se a poesia resulta de um trabalho de ourives ou de mais qualquer coisa inexplicável é muito antiga, mas, no caso de Vasco Graça Moura, tenho de confessar que nunca vi ninguém tão dotado para a produção poética no imediato. Uma vez, numa viagem de avião que fiz com ele e outros poetas até Madrid, vi-o traduzir (com rima e métrica) dois sonetos de Petrarca (que ficaram quase tão bons como os originais); e nessa cidade espanhola, depois de um jantar em casa do escritor João de Melo, que era o Conselheiro Cultural português na época, o poeta que comemora o seu 50.º aniversário este ano fez um soneto ali em menos de nada sobre o jantar e o anfitrião que não ficava nada a dever a muita da poesia publicada em Portugal. Mas essa facilidade para compor tem de ser uma capacidade rara, não pode ser só oficina...

2 comentários

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    Joaquim Jordão 13.06.2012

    Caro Paulo

    Estranho: a nossa Maria do Rosário hoje não compareceu. Espero que não seja por …
    Ah! Já sei! Hoje é feriado de Stº António lá em Lisboa. E, oxalá me engane, talvez lhe tenha caído mal a sardinhada.

    Quanto às rabugices de VGMoura, ora, entendo perfeitamente, é uma pessoa normal, e está em boa idade para as manifestar, à boa maneira da gente do Porto, ora essa.
    Aliás, no caso dele a idade é, ela própria, uma qualidade que consolida as outras que lhe conhecemos e reconhecemos. É isso que lhe dá a originalidade e a autoridade para manifestar sem pudor as suas casmurrices.
    Parece-me que isso está reflectido nestes primeiros versos do seu –

    «Auto-retrato com a musa

    1.

    vejo-me ao espelho: a cara
    severa dos sessenta,
    alguns cabelos brancos,
    os óculos por vezes
    já mais embaciados.

    sobrancelhas espessas,
    nariz nem muito ou pouco,
    sinal na face esquerda,
    golpe breve no queixo
    (andanças da gilette).

    ia a passar fumando
    mais uma cigarrilha
    medindo em tempo e cinza
    coisas atrás de mim.
    que coisas? tantas coisas,

    palavras e objectos,
    sentimentos, paisagens.
    também pessoas, claro,
    e desfocagens, tudo
    o que assim se mistura

    e se entrevê no espelho,
    tingindo as suas águas
    de um dúbio maneirismo
    a que hoje cedo. e fico
    feito de tinta e feio.

    (…) »

    Ary, outro “repentista” que também intervinha na vida pública, esclareceu o que é o despudor de um poeta “original” que tem a alegria de ser uma pessoa normal, e com essa alegria emprenha a poesia:

    « (…)
    Original é o poeta
    que chega ao despudor
    de escrever todos os dias
    como se fizesse amor.
    Esse que despe a poesia
    como se fosse uma mulher
    e nela emprenha a alegria
    de ser um homem qualquer.»

    Com permissão dos poetas, entrego este ramalhete de versos a Maria do Rosário, com desejos de rápido restabelecimento.

    E agora, ala que se faz tarde, vou ver o jogo, que estou em boa idade. Oxalá não me caia mal o resultado, que fico rabugento.

    Joaquim Jordão
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