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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

19
Jun12

Ler canções

Maria do Rosário Pedreira

Gosto de separar poemas de letras, porque as letras, para se acomodarem ao espartilho da música e serem cabalmente entendidas no tempo que o intérprete leva a brindar-nos com a canção (depois, já não vale), acabam por enfermar de uma simplicidade (ou de um simplismo) que nada tem que ver com a poesia (tantas vezes cheia de nós e laços para desatar). Contudo, existem autores de letras que são escritores fenomenais, sabendo não só meter as palavras na música, mas também dar ao conjunto uma profundidade e uma grandeza que só os maiores poetas às vezes atingem. Considero Chico Buarque um deles – mas há mais – e o tema deste post surgiu num domingo extremamente bem passado, que começou com um sushi de qualidade numa esplanada lisboeta à hora de almoço e terminou num jantar regado a canções do génio brasileiro, que ando a coleccionar em CD vendidos com o jornal Público a preço amigo, porque não tinha tudo e os discos em vinil ficaram, provavelmente, em casa da minha mãe – se é que eram meus, e não de um dos meus irmãos. E, depois de ouvir quase tudo, nem é assim tão estranho que Chico Buarque se tenha posto a escrever romances (acho que já aqui falei sobre Leite Derramado; senão, tenho gosto em fazê-lo) porque já era escritor antes disso. Basta ouvir Meus Caros Amigos com toda a atenção para perceber que as letras são uma literatura pegada, sendo a música um poema igual ou melhor. Olhos nos Olhos é uma das minhas preferidas deste cantautor. Aos domingos, depois de tanto livro, também sabe bem ler canções.

2 comentários

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    Anónimo 19.06.2012

    Alguns poemas de António Gedeão contém a música. A música. A música. Nem todos. Mas muitos.
    Manuel Freire, Carlos Mendes, Samuel, Adriano Correia de Oliveira
    "Pedra Filosofal", “Fala do Homem Nascido”, “Calçada de Carriche”, “Lágrima de Preta” ou “Poema de Pedra Lioz”. são alguns dos seus poemas musicados. Sem esquecer José Niza compositor de várias músicas sobre poemas de António Gedeão.
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