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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Jul12

Ça bouge

Maria do Rosário Pedreira

Nas últimas férias grandes, reparei que muitos estrangeiros que escolheram as praias do Algarve levavam com eles um e-reader, quase sempre um Kindle, poupando-se ao peso dos livros que iam na minha pasta – e que, por me deslocar de carro, pude levar comigo. Porém, eram ainda muito poucos os portugueses que se serviam desses dispositivos para ler, talvez porque a crise instalada não desse para mais do que o hotel, a gasolina e as refeições (que este ano, sem subsídios, muitos já não poderão pagar). No final do ano passado, pedi, por curiosidade, os números de vendas de ebooks de um dos autores que publico, parecendo-me que, pelas suas características, seria dos que teriam mais leitores com e-readers. Surpreendi-me com a parca meia dúzia de exemplares vendidos e, até há pouco, rendi-me à evidência de que ainda estávamos um bocado atrasados ou falidos para podermos concorrer com suecos e holandeses (os estrangeiros de que atrás falei) nesta matéria. Contudo, há dias chegou-me uma informação sobre as vendas do romance vencedor do Prémio LeYa e, ao contrário do que pensava, neste caso os ebooks ultrapassavam os 120, quase todos na versão para iPad. Será que também em Portugal as coisas estão decididamente a mexer e as pessoas não resistiram, apesar de andarem mais apertadas de dinheiro, ao gadget da Apple, mas pouparam no preço do livro, que é mais barato na versão electrónica?

4 comentários

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    António Luiz Pacheco 03.07.2012

    Mas nem pense nisso, pelo contrário... tem não só informação útil como a idéia que expressa me parece de todo o interesse!


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    Cristina Torrão 03.07.2012

    Concordo, o comentário de Safaa é muito interessante. Talvez seja essa a razão porque os iPads são tão populares em Portugal, enquanto que no estrangeiro se opta mais pelos "e-readers" propriamente ditos (como o Kindle), que são mais baratos.

    Quanto aos custos de produção de um "ebook"... são mínimos, por isso se justifica o preço de 2 ou 3 euros. O autor ganha menos do que isso com os livros em papel (normalmente, 10% do preço de capa).
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    Safaa 03.07.2012

    Os custos de produção de um ebook são minímos? Ai é? Se estamos a falar do negócio do "do it yourself" em que se pega num PDF e vende-se como um ebook manhoso, como já tenho visto tantos por aí a fazer, até poderia concordar... Porque é que o custo de um ebook haveria de ser assim tão minímo se ainda estamos a pagar direitos de autor, design, paginação, revisão, marketing, publicidade, royalties? Tanto no livro físico como no ebook estes custos mantém-se para o editor. Mas no caso de ebooks acresce: custo de software anti-pirataria, preparação dos ficheiros digitais e conversão para vários formatos, mais toda a parafernália digital para fazer o upload dos ficheiros no servidor. Ainda há custos de distribuição digital envolvidos. E parece-me que as pessoas não têm noção dos custos de desenvolvimento de aplicações (as famosas apps) para produtos Apple que são exorbitantes! São essas aplicações que permitem ler os livros nos iPads e iPhones e envolvem custos tremendos (a própria Apple fica com uma comissão de vendas por cada produto vendido nessa aplicação). Mas caramba, se as pessoas não estão dispostas a pagar por um ebook nem uns 5 ou 6€ então mais vale desisitirem de ler em digital. Um mercado em que oferece o menor custo possível para o consumidor, sem qualquer margem de lucro para editoras ou autores, há-de ter um brilhante futuro pela frente. Claro que não faltam por aí negócios a florescer de livros auto-publicados e vendidos na amazon ou noutros livreiros que decidiram que a melhor solução possível é eliminar o editor da equação. Mas a morte do editor é tão exagerada e falsa quanto a morte do papel, por mais que os marketeers tentem dizer o contrário. Não vou dizer que a adaptação do editor às novas tecnologias está a ser fácil, mas a adaptação é possível, só ainda não foram encontradas as condições certas.
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