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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Jul12

Bibliotecas curiosas

Maria do Rosário Pedreira

A Madalena, que é uma jovem de pouco mais de 25 anos que trabalha comigo e anda sempre em cima do acontecimento no que toca a novidades editoriais, falou-me há dias de Zoran Živković, um escritor nascido em 1948 no território que é hoje a Sérvia. Como ainda nunca tinha lido nada deste autor, ela emprestou-me um livro de contos publicado pela Cavalo de Ferro em Portugal, que se intitula A Biblioteca e ganhou em 2003 o World Fantasy Award. Não se assustem com a palavra «fantasy» aqueles que (se calhar, como eu) não se sentem minimamente atraídos por um género que associam a mundos de fadas, elfos, brumas ou Atlântidas; aqui o termo tem mais que ver com o irreal e o absurdo do que propriamente com sagas melífluas ou saudosistas de Avalon, e o assunto – as bibliotecas – interessa de certeza aos leitores deste blogue. Pois a verdade é que este livrinho é uma preciosidade e os seus textos, que podem ser lidos num serão, são bastante devedores de Borges ou Kafka – e todos fantásticos, mas numa outra acepção da palavra, desde aquele em que um autor encontra na Internet a sua bibliografia que ainda não escreveu até àquele em que se revê o cenário clássico do Inferno católico, dando-lhe a forma de uma biblioteca na qual os «degredados» terão de ler livros como castigo pelos seus pecados – e, claro, nem pensar em policiais para os criminosos... Numa prosa fresca e intrigas bem apanhadas, a garantia de umas horas bem passadas em bibliotecas de vários tipos. Obrigada, Madalena, fico a dever-lhe mais esta.

5 comentários

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    Joaquim Jordão 21.07.2012

    (...)

    Neste entretanto, já não estou sozinho em casa.
    Fez-se tarde, arrefeceu lá fora, as gatas regressaram aos meus mimos. Maria João Pires já cumpriu a sua missão, agora está ali não sei quê de Haydn, acho que é um quarteto. E chegou a minha mulher, que leu isto e – coisa rara – gostou!!

    Ora bem, agora é que estou enrascado.

    Se, no meio desta desarrumação que é a minha biblioteca (… ia a dizer “isto tudo”…), eu conseguisse levar esta coisa a cabo – e se Maria do Rosário autorizasse – talvez que o título desta possível ficção pudesse ser “Curiosa Biblioteca de Zabel”, ou algo do género.

    Mas não prometo. Se calhar não vou ter tempo. Tenho de me dedicar mas é a arrumar esta trapalhada, que daqui a pouco chega aí o carpinteiro com as novas prateleiras, e é uma vergonha.

    Joaquim Jordão, Amarante, tantos de tal, que já nem sei bem a quantas ando.
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    Pedro Sande 21.07.2012

    Caro Joaquim
    A sua biblioteca é deveras intrigante e mais do que ser doada exige uma investigação Sherlokiana “à séria”.
    Indícios estimulantes e respostas ao mistério são assim um contributo de todas as bibliotecas curiosas: a minha não é excepção e induzindo-me a pontapé ao meu serviço cívico não me perdoava não o cumprir.
    Assim caro Joaquim é sabido que o Gonçalo foi exportado com os seus dois cursos, o que o coloca como desqualificado perante a grande biblioteca metropolitana: menos de três já é insuficiente; siga o exemplo da minha biblioteca que vai para o terceiro, tal o receio de… ser exportada. Assim, estes indícios induzem as seguintes perguntas:
    • N.º1, porque foi o Gonçalo exportado e não os seus livros? Terão ficado como fiéis depositários da inteligência nacional ou serão uma nova forma de garantias reais? Terá A Grande Biblioteca nacional penhorado mais um dos seus irmãos? A penhora está muito na moda, caro Joaquim!
    • N.º2, porque já nem as gatas se chegam a nós? Fossemos ligeiramente mais novos, às vezes penso por uma questão de dias, e não deitavam as unhas de fora nem se assanhavam!
    • N.º3, porque as empregadas (funcionárias colaboradoras, caro Joaquim), sendo funcionais na sua área totalista, são tão desorganizadas no que diz respeito às bibliotecas? Mal empregadas, caro Joaquim? Ou a resposta encontra-se lacrada num acordo secreto conspirativo?
    • N.º4. Repare bem no enunciado que leva a esta pergunta: «as gatas regressaram aos meus mimos…» e não o contrário: o que é feito dos mimos das gatas aos seus donos, caro Joaquim? Voltou o sol a girar à volta da terra, caro Joaquim? Estamos bem arranjados, Joaquim!
    • N.º5; «não sabe a quantas anda». Pudera, Joaquim, se calhar já não anda a qualquer velocidade: arrasta-se, como aqueles ponteiros cuja bateria foi-se esgotando e dão um impulso para a frente e dois para trás; ou está parado de vez, o que justifica a falta de mimo das gatas.
    Daí, caro Joaquim, talvez tenhamos encontrado a explicação para a sua curiosa biblioteca, embora isto possa não passar de meras conjecturas e suposições que eu tenho uma procuração de Sherlock, mas ainda não estou encartado.
    Solenemente lhe digo, caro Joaquim, que a biblioteca é só o pretexto para a sua estimulante demanda e daí que talvez tenhamos encontrado a explicação para a sua curiosa biblioteca: cigarros e gatas nunca foram uma boa combinação, caro Joaquim! Tente lá largar o vício, homem! Não largue é a pena, mesmo que ela seja viciante!
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    Pedro Sande 21.07.2012

    Bolas, agora é que reparei.
    O Joaquim da minha amiga graça, que por acaso não é bibliotecário, vai casar-se hoje em Coimbra!
    Não é você, ò Jordão!
    Parabéns, Joaquim, não te deixes exportar... ele não é que há estranhas coincidências?
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    Anónimo 21.07.2012

    Bolas, estes senhores escrevem bem! Continuem, continuem...É a vez do Joaquim Jordão! (mas se o Pedro tiver mais alguma coisa a dizer, nada a opor!).
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