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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Out12

Coisas do coração

Maria do Rosário Pedreira

A palavra de ordem deste governo é poupar, sobretudo nos bolsos dos outros... Tenho a certeza de que existem muitas fundações que se aproveitaram das regalias e pouco fizeram de relevante em prol do público durante os últimos anos; mas é escandaloso que se sugira a extinção de outras e se acabe com os apoios concedidos a organismos que contribuem decisivamente para o desenvolvimento cultural dos Portugueses. Fiquei zangada com a notícia, porque ainda temos demasiados analfabetos em Portugal para podermos prescindir de uma educação fora da escola (escola que também estará a poupar em tudo e, por isso, preparará cada vez pior os nossos jovens). Os exemplos são muitos, mas o meu coração bateu quando li, entre os nomes alinhados, o da Fundação Ciência e Desenvolvimento (FCD) – que gere, por exemplo, o Teatro do Campo Alegre, no Porto, onde decorrem todos os meses as Quintas de Leitura, um fenómeno em termos de divulgação de poesia, cujos espectáculos estão sempre a abarrotar de gente que paga voluntariamente o seu bilhete. Daqui do blogue mando um abraço solidário a João Gesta e a toda a sua equipa e desejo que nada de mal lhes aconteça. Tenho a certeza de que as Quintas se pagam a si próprias e seria uma tragédia que a proposta extinção da FCD obrigasse ao seu fim. Poderia citar outros casos, porque são muitos, mas este acertou-me em cheio no coração.

6 comentários

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    Anónimo 03.10.2012

    Caro Jocamartinho

    "O livro também é cultura, quando vou a uma livraria, pago", é certo, mas se não quisesse pagar poderia sempre ler, bastava para tanto ir às bibliotecas... Mas como fazer com o teatro?
    Lembrei-me de repente daquela lógica de fechar
    cursos quando os alunos são muito poucos, compreendo a lógica que está por detrás desta ideia, mas digam-me, o que aconteceria ao latim se deixássemos de o lecionar na universidade por ter apenas um aluno? deixamo-lo ainda mais morto??
    Isabel
    Um abraço
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    Jocamartinho 03.10.2012

    Caríssima e Extraordinária Isabel

    As bibliotecas, o planetário, porventura até os cine-teatros, são da área e da competência dos municípios, se os queremos graciosos e ao dispor do público. Se o âmbito ultrapassar essa área, que sejam nacionais.
    A propósito das bibliotecas - que a Isabel trouxe à colação, e bem, pois toca-nos particularmente - lembro-me que as minhas primeiras leituras foram feitas graças à disponibilidade de uma Fundação - a Calouste Gulbenkian - a quel não precisava de apoios estatais para promover esses serviços, sendo um canal de recepção dos livros editados.
    Fui, até há pouco tempo, presidente do conselho de administração de uma empresa (EEM) ligada à cultura, gerindo três bibliotecas principais (entre outas valências, como dois centros culturais, teatro e cinemas) e digo-lhe que, ao receber a carrinha e os livros da Gulbenkian, que os disponibilizou gratuitamente, preparei uma distribuição dos mesmos pelas escolas e bibliotecas locais das juntas de freguesia. Foi um serviço que aquela Fundação deixou de prestar (talvez porque esse espaço cabia aos municípios e empresas congregadas) e que verdadeiramente, enquanto durou, foi independente do dinheiros dos contribuintes.
    Fundação implica fundador, patrono, mecenas. Sei lá...
    O teatro tem de ir de encontro à apetência do público e não correr pelo marfim dos autores e encenadores; ou seja, tem de ser sustentável, como é o cinema. Financiar um peça que se leva à cena para, no todo das exibições ter o número de espectadores correspondentes a sala plena, é pouco. Se se tratar de teatro experimental ou escola de teatro, lá entramos no saco municipal, ainda que, indirectamente, saia do bolso do contribuinte. Aqui, tudo bem; agora teatro de bilheteira que não cubra os custos da electricidade...
    Quanto ao latim, ao pobre latim que eu conheci pela primeira vez através da Initia Latina, tem sido renegado pela Educação, independentemente de haver muitos ou poucos alunos. Nem há fundação que lhe valha. Talvez, por isso, a Escrita ande tão mal tratada e corra o risco de ser aviltada através das interferências ocorridas com algum acordo, dito ortográfico.
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    Anónimo 03.10.2012

    Caro Jocamartinho
    É por isso que gosto deste blogue, gosto sinceramente de ouvir pontos de vista alheios, principalmente quando expostos de forma tão clara e convicta, aprendo sempre alguma coisa ; é óbvio que desconheço muitas realidades, mas a de esperar a carrinha da gulbenkian que passava pela minha aldeia (terra de Ruy Belo) excitadíssima e feliz, essa conheço, e é com muita ternura que recordo o som da sua buzina.
    Isabel
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    Jocamartinho 03.10.2012

    Decerto, Isabel, era um encanto ver a carrinha e entrar nela, no seu corredor estreito ladeado de livros. O encanto que era escolher, querendo levar uma barrica deles e só poder levar três, no máximo; preencher aqueles papéis verdes, amarelos e cor de rosa, lendo o código na contracapa. Talvez aí, no meu caso, tenha sido mordido pelo "bicho" do livro.
    Para não fugir ao tema, considero este um dos maiores serviços culturais do século XX e um extraordinário serviço prestado por aquela Fundação.
    Fiquei a saber que é de uma terra muito bonita, que tem uma torre ou almenara muito curiosa.
    E fiquei a saber que é da terra de um talentoso e já felecido poeta. Citando-o:
    "É triste ir pela vida como quem
    regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro."
    Este verso é magistral.

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    Anónimo 04.10.2012

    Caro Jocamartinho
    Fiquei muito sensibilizada pela sua mensagem tão bonita! Não sendo "filha da terra", passei aí 10 anos da minha vida, foi lá que cresci, vivi e sonhei muito (sabe, naquela idade em que ainda tudo é possível?). E o nosso Ruy Belo aí está sepultado junto à igreja com a sua torre (a que se atribui origem mourisca). Este ano foi inaugurado o centro escolar Ruy Belo. Uma homenagem merecida.
    Isabel
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