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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

23
Out12

Um hobby muito em conta

Maria do Rosário Pedreira

Nos últimos anos, cresceu exponencialmente o número de autores de livros em Portugal (talvez em todo o mundo, mas falo do nosso cantinho). Perguntei-me muitas vezes por que motivo tantas pessoas desejam ardentemente publicar um livro e sempre me pareceu que a literatura tem uma aura de sagrado e que, para as pessoas em geral, um livro assinado com o seu nome é coisa de meter respeito e, ao mesmo tempo, selo de inteligência e importância. Não vemos, por exemplo, proliferarem pintores, escultores, arquitectos ou cineastas, embora também haja muitos músicos amadores compondo e mostrando constantemente o seu trabalho na Internet. No fundo, talvez a música e a literatura sejam baratas – para a primeira, bastará um instrumento (que hoje até pode ser substituído por um programa informático), para a segunda apenas a língua que falamos. São, efectivamente, actividades ao alcance de todos os que têm ideias ou saibam assobiar (mesmo que muitas vezes assobiem para o lado, já se sabe), hobbies realmente em conta, nos quais o investimento acaba por ser apenas em tempo. Será por isso que se escreve tanto?

4 comentários

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    António Luiz Pacheco 23.10.2012 14:26

    Extraordinário, se me permite meu caro Artur Águas... como o Pedro Sande, também valeu a pena lê-lo, e por isso mesmo, portanto escrever!

    Saudações Planáticas!
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    Artur Águas 23.10.2012 14:54

    Muito obrigado pelas suas lisonjeiras palavras. Aprecio muito os seus frequentes comentários neste blog que me fazem imaginá-lo, com alguma inveja, vivendo num mundo geográfico e humano que, amigos meus que aí habitaram em tempos idos, dizem ser o paraíso na terra. Já publicou alguma literatura? Eu não, mas mantenho a minha alma aquecida com a fantasia de um dia o vir a fazer... (tal como o escrevi no final do meu comentário).
    Artur Águas
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    Pedro Sande 23.10.2012 15:28

    Caro Artur. É a hora dos encómios. Deixe lá não ter sido publicado numa árvore. Não criativo, Artur? Não me parece mesmo nada. Há os escritores do papel, caro Artur, mas há os outros. Os que vivem na sustentabilidade do vale de lágrimas, em folhetins diários magníficos e admirados. Viva feliz a escrever, caro Artur. Publicar é um acessório. Que melhor publicação do que essa? O resto é só a nossa vaidade a fustigar-nos, que vale menos do que qualquer boa árvore a quem até aproveitamos a sombra mesmo num dia cinzento e chuvoso.
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