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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Out12

O regresso feliz

Maria do Rosário Pedreira

Depois de edições incertas e muitos soluços, parece finalmente que a obra do grande poeta Eugénio de Andrade encontrou um caminho firme e vai ser disponibilizada sem achaques nem interrupções. A Assírio & Alvim vai tomar conta dos escritos do saudoso Eugénio e acaba de pôr à venda os dois primeiros volumes, que correspondem aos cinco primeiros livros do autor. Num deles, Primeiros Poemas, As Mãos e os Frutos e Os Amantes sem Dinheiro (um dos meus preferidos); no outro, As Palavras Interditas e Até Amanhã, este último de 1956, o que quer dizer que ainda há muito para vir porque, ao contrário de alguns poetas parcos ou preguiçosos (nos quais me incluo), Eugénio foi prolixo e escreveu até ao fim. Vou, por isso, ficar de papinho cheio, como todos os leitores que apreciam o grande mestre. E, só para espicaçar os que não se interessam por aí além pela nossa poesia, aqui vai um fragmento belíssimo de As Mãos e os Frutos (XXXV) que os tirará do marasmo.

 

Em cada fruto a morte amadurece

deixando inteira, por legado,

uma semente virgem que estremece

logo que o vento a tenha desnudado.

4 comentários

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    Anónimo 30.10.2012

    Oh que engraçado Anabela, eu recitei este mesmo poema ao meu actual marido, também no auge da paixão, isto é, no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes e o seu corpo era um aquário.
    É infalível, eheheh!!!
    Isabel
  • Sem imagem de perfil

    Anabela F. 31.10.2012

    Coincidências de poeta, Isabel, mas não de poema. E eu, nessa altura era a aranha e ele a minha casa. Valha-nos a poesia e a memória.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo 07.11.2012

    Bonita imagem!
    Isabel
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