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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

06
Nov12

Queridos anos 60

Maria do Rosário Pedreira

Quem viveu nos anos 60 e viu a série Conta-me como Foi, não pôde deixar de evocar episódios e cenas da sua vida naquela reconstituição de época primorosa. E agora, por muito que nos digam que Portugal evoluiu de forma espectacular nos últimos quinze anos, há um livro fantástico à venda – LX60, de Joana Stichini Vilela (texto) e Nick Mrozowski (projecto gráfico) – que nos ensina como o País nunca mais foi o mesmo depois dos anos 60 do século passado. Foi só nessa década, por exemplo, que os lisboetas puderam andar de metro, viver nos Olivais, atravessar a ponte de carro para a outra margem do Tejo, comprar num supermercado ou ir à Feira Popular (coitada, já lá vai), dançar nas discotecas ou mesmo passar um fim-de-semana num hotel de luxo como o Estoril-Sol (que também já não temos). Mas nem tudo foram rosas, claro, com a Guerra Colonial, a PIDE a matar e torturar, a esperança média de vida aos sessenta e tal anos, mais de 80% dos partos em casa, umas cheias que destruíram centenas de lares e um terramoto que assustou todos na capital. Contra algumas dessas pragas, havia, porém, tertúlias nos cafés, livros proibidos que passavam por baixo dos balcões, programas de TV inteligentes como o Zip Zip e revistas pensantes como O Tempo e o Modo. Claro que o povo também se divertia com o Festival da Canção, as Misses e Eusébio a jogar à bola… Este livro, para quem viveu nos anos 60, é precioso: remete-nos para um tempo que foi marcante numa certa emancipação dos portugueses e das portuguesas (ah, a mini-saia!) e leva-nos numa viagem ao passado de um País que estava cheio de vontade de ser outra coisa. Para ler e folhear.

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