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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

07
Nov12

Editores-escritores

Maria do Rosário Pedreira

Há pessoas que estranham que não tenha publicado os meus livros – a maioria, pelo menos – nas editoras por onde fui passando; as únicas excepções, em mais de quarenta títulos (entre livros de crianças e livros de adultos), foram uma encomenda recente (e mesmo assim reflecti antes de a aceitar) e uma teimosia antiga (do então patrão, mas talvez devesse ter sido ainda mais teimosa). Conheço um editor-escritor que, como dono da empresa, decidiu ao contrário, tornando-se o seu próprio editor; e outro que publica regularmente na editora para a qual trabalha sem nenhuns problemas de consciência. Mas outros há que publicaram os seus livros na concorrência, embora eu já não consiga dizer, a esta distância, se já eram editores na altura, se foi justamente a escrita a levá-los à edição. E até se passou comigo uma história engraçada, que foi terem-me pedido há muitos anos para ler e avaliar um original, e eu ter descoberto mais tarde que se tratava do romance de um editor conhecido (livro que, parece-me, nunca chegou a ser publicado e, aqui para nós, ainda bem). Actualmente, tenho dois colegas no meu local de trabalho que se estrearam como autores de ficção quando eram jornalistas, tendo um deles sido inclusivamente galardoado com um importante prémio pela obra de estreia e o outro contado nada mais nada menos do que com António Lobo Antunes na apresentação pública do romance. Pois a verdade é que, desde que se tornaram fazedores de livros alheios, não voltaram a publicar – e o mesmo aconteceu, por exemplo, a Nelson de Matos, que foi durante muitos anos editor da Dom Quixote, mas antes disso tinha escrito um romance intitulado Giestas da Memória (o Manel também publicou quatro livros de poesia, mas deixou-se disso quando passou a editor). Será que as duas actividades se anulam ou se complementam? Ler tirará a vontade de escrever ou acentuá-la-á? E como reagir quando um colega de repente nos pede para lhe lermos um original e descobrimos que, afinal, é dele e até não nos importaríamos de o publicar, mas não sabemos se ele quer fazê-lo na própria editora?

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