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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Nov12

Crianças protagonistas

Maria do Rosário Pedreira

Uma vez, numa velhíssima série de televisão dedicada à sétima arte, ouvi um realizador dizer que uma das coisas mais difíceis em cinema era trabalhar com crianças e animais, pois não havia ensaios que anulassem a sua espontaneidade, nem estratagemas que os convencessem a ficar quietos quando era preciso. Por mim, há muitos filmes com crianças nos papéis principais que me fizeram delirar de comoção – entre os quais destaco a primeira parte de Cinema Paraíso ou o mais antigo Lua de Papel, bem como o inesquecível Na América, que se tornou um dos meus preferidos pelas interpretações das duas meninas que acabam de perder um irmão. Mas há, mesmo para os que não são fãs de Manoel de Oliveira, um belíssimo filme português chamado Aniki-Bóbó – a primeira incursão na ficção do mestre centenário – representado por crianças, que levanta questões sociais importantes, numa espécie de neo-realismo cinematográfico avant la lettre (os italianos só começaram depois). Manuel António Pina – de quem é imperioso voltar a falar para que nunca seja esquecido – escreveu um ensaio sobre a obra de Oliveira intitulado simplesmente Aniki-Bóbó, no qual defende que, depois deste filme, o cinema português nunca mais conseguiu ser tão poético. No final do volume, agora publicado na Assírio & Alvim, figura a preciosa filmografia do mestre portuense, que pode ser consultada sempre que a memória nos falhe sobre o nome de um filme ou a data da sua exibição. Na capa, Eduardito, Teresinha e Carlitos olham, na montra de uma loja, a boneca que contribui para umas das mais dramáticas cenas deste filme maior.

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