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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Dez12

Filmes de escritores

Maria do Rosário Pedreira

Bela ideia teve a RTP de propor a quatro escritores portugueses relativamente jovens, mas já com provas dadas, que escrevessem um guião para um telefilme. São autores com linguagens completamente distintas em matéria de literatura (três deles também poetas) mas da mesma geração: José Luís Peixoto, Pedro Mexia, Valter Hugo Mãe e João Tordo (este último, se não erro, é o único com experiência na área, uma vez que foi durante algum tempo guionista de uma produtora de cinema e televisão e assinou, a meias, o script de, pelo menos, uma longa-metragem). O primeiro dos telefilmes – Entre Mulheres, de Peixoto – é a história de uma viúva com um segredo difícil de confessar e foi transmitido na quinta-feira passada (embora haja uma operadora que permite a recuperação de todos os programas que passaram nos últimos sete dias e essa possa ser a forma de o ver, se por acaso o perdeu). Contudo, ainda vamos todos a tempo de assistir aos outros três para sabermos se os nossos escritores têm também talento para passar da palavra à acção. O próximo a ser exibido chama-se Bloqueio, é assinado por Pedro Mexia e passa já nesta quinta-feira à noite. Nas próximas duas semanas, serão exibidos Crónica de Uma Revolução Anunciada, de João Tordo, e A Morte dos Tolos, de Valter Hugo Mãe. A realização desta mini-série, intitulada Portugal Hoje, é de Henrique Oliveira. Para variar, ver em vez de ler.

2 comentários

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    Pedro Sande 11.12.2012

    ...
    A um filho, a um nado morto, assim, guardá-lo-ia debaixo de uma almofada e como Gepeto dar-lhe-ia todos os dias uma nova forma, um nariz mais equilibrado que fosse capaz de olfacto, uma boca mais desenhada que permitisse tragar um prato com paladar e outros sentidos que o transformassem num nado vivo, bem diferente daquele de madeira inerte sem sentido.

    Do Peixoto que me dizem caxineiro , e como gosto de quem ama o mar, irei ler a sua última obra, «O dentro do segredo»; e já que a percepção, quase pela certa errada quando se valorizam apenas impressões, partes ou excertos (em obra de peso, pensada, não em sebentas) e não se olha o todo - é no geral de um escrita demasiado intimista, demasiado do domínio do eu, e portanto à espera de momentos - tornando-a mais dependente de um tempo de leitura próprio, que eventualmente não lhe retirará qualidade, mesmo se condizer com uma percepção feita de manuseio «en passant» de livrarias várias a quem já faltam «os cabedais» para a refrigeração e o aquecimento.

    Aqui, mea culpa, tive uma espécie de olhar de editor, condicionado este – mesmo se consciente e profissional, capaz da intuição dos que já muito viram - pelo tempo que vive, pelo lugar que ocupa, pela ditadura da moda que tem obrigatoriamente de seguir para não se condenar (julgam os irritados com a Merkel, como eu!, que ela é um produto de si própria ou reflexo condicionado da opinião pública a quem ter de servir?, ou julgam os ingénuos que o marketing é ainda de produção e não de consumo, «aportar valor ao consumidor é o mote», numa assumpção clara de que já não é o produtor - leia-se, escritor - mas o consumidor que manda?) Julgava o leitor desta maçada, que era ele o condicionado? Engana-se, que a condição de editor, no tempo de editoras condenadas, não, editores (que esses cada vez serão mais necessários, como conselheiros, quase como religiosos que distribuem comunhões e deslindam confissões), é condição de bem maior sofrimento. «Em tempos de racionamento somos obrigados a racionalizar as nossas escolhas pelo máximo denominador comum, sujeitos às massas e não sujeitando as massas a gostos estranhos de nichos, que desconhecem ou temem.»
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