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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Jan13

Rei morto, rei posto

Maria do Rosário Pedreira

Cada vez é mais difícil ficar vivo depois de morto. Não, não me enganei. Aqui há dias comentava com um colega que, nos tempos que correm, se o escritor não estiver aí de carne e osso, as vendas dos seus livros decaem imediatamente. Como diz Vargas Llosa, vivemos cada vez mais numa civilização do espectáculo – e, por isso, estar morto pode ter custos elevados. Embora se reeditem cada vez mais clássicos, a verdade é que muitos dos autores desaparecidos correm o risco de deixar de ser lidos a curto prazo. E digo isto porque me contaram uma história que vem confirmar como a morte pode matar não só o autor, mas também a importância da obra que legou. Duas escolas portuguesas foram recentemente fundidas, dando origem a um moderníssimo edifício, cheio de comodidades que as velhas não tinham e com capacidade para albergar a totalidade dos alunos que as frequentavam. Essa escola recebeu o nome de António Damásio, português de quem todos, naturalmente, nos orgulhamos e que, se não me engano, está hoje mesmo em Portugal para abrilhantar uma sessão nesse novo edifício que carrega o seu nome. Nada de estranho, se não soubéssemos que um dos estabelecimentos de ensino «evaporados» se chamava, não por acaso, Escola Vitorino Nemésio, escritor português que é autor de um dos mais belos romances de sempre – Mau Tempo no Canal – e que, além de poeta e ficcionista, foi um grande professor e comunicador (os mais velhos leitores deste blogue recordar-se-ão seguramente do programa de TV Se Bem Me Lembro). Ora, não tendo nada contra Damásio, aborrece-me mesmo assim que deixemos de ter o nome de Nemésio numa escola lisboeta – e pergunto-me se isto não quer dizer que, por um lado, quem tomou a decisão não tem noção da importância do autor açoriano na literatura portuguesa e, por outro, que já quase ninguém o lê...

3 comentários

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    ASeverino 09.01.2013

    Mas haverá alguém na escola capaz de explicar aos alunos que foi Vitorino Nemésio...saberá algum dos professores quem foi Vitorino Nemésio?
    Oh meus amigos relembro-vos que estamos no país da CASA DOS SEGREDOS com a escritora MISTER ED (o cavalo que fala)...

    Mas atenção que esta CASA DOS SEGREDOS não existe só em Portugal é certamente algo à escala universal, portanto, estamos conversados...

    Se houvesse alguém com tomates neste país não teria já posto uma bomba na casa citada??? então não é o MISTER ED uma figura "brilhante" da incultura portuguesa? Quando falo nesta casa e neste cavalo que fala tenho de ir a correr prá casa de banha a vomitar (é verdade, não estou a "mangar")!!!



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    Paulo Oliveira 09.01.2013

    Acredito que haja (alguém na escola que...). Não ajudemos também nós a apequenar os professores que tão desconsiderados são (não sou professor) todos os dias. Estou certo que não foi esse o seu propósito e que apenas se deixou ir com a "tristeza desalentada", mas bem escrita, que por aqui correu hoje. As coisas vão mal, é um facto, mas não sei se adiantará estarmos sempre a coçar na ferida.
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